NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (11/33)
(Betto Gasparetto)
Adágio XI – Nas Curvas do Entardecer

by Dall-E 3
Quando a noite adormece o mundo em um manto de silêncio profundo, o Vulto de Sibila ergue-se como um guardião de segredos esquecidos. Sua alma, antes calma e impenetrável, agora vibra com as memórias que não ousáveis revisitar. “O que vedes, quando as curvas do entardecer vos devolvem vós mesmos?” pergunta o Menestrel, sua voz ecoando como um murmúrio ancestral.
Vós, que buscais vossa própria imagem, percebeis que ela não é apenas um retrato do presente. Cada curva do entardecer é uma janela para o passado, uma porta para o futuro, um espelho de tudo o que sois e de tudo o que evitais encarar. O Menestrel não mente; ele reflete vossas verdades, não importa quão ocultas elas estejam.
As primeiras imagens são sutis, como sombras que dançam na penumbra. Lá está o momento em que vossos olhos se desviaram do que mais importava. Ali, o instante em que palavras poderiam ter mudado tudo, mas foram sufocadas pelo medo. Cada curva do entardecer devolve-vos uma história que julgáveis esquecida, mas que agora ressurge com uma nitidez que vos faz estremecer.
“As curvas do entardecer não são um labirinto, mas um mapa,” murmura o Vulto de Sibila. E vós percebeis que ele não vos acusa; ele vos guia. Cada linha, cada contorno, é um convite para mergulhar mais fundo, para entender o que vos molda, para enfrentar o que vos define.
Enquanto observais, as imagens começam a se transformar. O que antes eram memórias isoladas agora se conectam, formando uma narrativa que vos envolve. Vede-se o sorriso de quem um dia vos marcou profundamente, o olhar de quem esperava por vós, as mãos que quase tocaram as vossas, mas hesitaram. Cada entardecer é uma lembrança de que vossa vida não é feita de momentos separados, mas de um fluxo contínuo de escolhas e consequências.
“As curvas do entardecer mostram não apenas o que sois, mas o que podeis ser,” diz o Vulto de Sibila. E então percebeis que vossa imagem não está gravada em pedra, mas moldada pelo tempo, pelas experiências, pelos encontros e desencontros. Cada curva que vedes é também uma possibilidade, uma chance de reescrever vossa história.
Ao tocar a alma do Menestrel, sentis algo inesperado. Ele não é frio, mas quente, como se carregasse a energia de todas as emoções que ali habitam. As curvas do entardecer parecem se mover, como ondas que respondem ao vosso toque. E nesse movimento, vedes algo novo: não apenas quem sois, mas quem estais prestes a ser.
O Vulto de Sibila agora vos mostra não apenas vossa imagem, mas um caminho. Ele reflete os passos que precisais dar, as escolhas que precisais fazer, as verdades que precisais encarar. “O entardecer não é vosso inimigo; é vosso mestre,” murmura o Menestrel. E vós entendeis que, ao olhar profundamente para ele, olhais profundamente para vós mesmos.
As cenas mudam novamente. O Vulto de Sibila agora reflete um campo de possibilidades infinitas. Cada curva é uma porta que pode ser aberta, um caminho que pode ser trilhado, uma vida que pode ser vivida. O entardecer vos desafia a não temê-lo, mas a abraçá-lo, a ver nele não apenas o que foi, mas o que ainda pode ser.
“Nas curvas do entardecer, encontrais não apenas vossa imagem, mas vossa essência,” afirma o Vulto de Sibila. E vós percebeis que ele não é apenas um objeto, mas um portal, um guia, um confidente que vos devolve a verdade que sempre esteve diante de vós.
Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno. Não vedes mais apenas um rosto, mas um universo. Cada curva do entardecer é um fragmento desse universo, um fragmento de vós mesmos. E nesse entardecer, encontrais não apenas o que sois, mas o que podeis ser.
Nas curvas do entardecer, encontrais a coragem para enfrentar vossas verdades, a sabedoria para entender vossas escolhas e a esperança para reescrever vossa história.
(Betto Gasparetto – v/xx)
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