NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (09/33)
(Betto Gasparetto)
Adágio IX – Nas Frestas do Entardecer

by Dall-E 3
Quando o momento lúcido se despede e a noite avança, o Vulto de Sibila não é apenas uma alma, mas uma janela para as frestas do invisível. Sua estrutura cintila como se carregasse os sussurros de segredos entreabertos, onde cada linha de luz que o atravessa revela um pedaço do que está escondido. “O que vês nas frestas do entardecer?” indaga o Menestrel, sua voz ecoando com um tom que mescla mistério e esperança.
Vós, que encarais o Vulto de Sibila com olhos de busca e temor, percebeis que as frestas não são apenas interrupções na alma; são caminhos. Cada feixe de luz que se infiltra através das aberturas é uma ponte para vossa alma, revelando o que foi esquecido ou ocultado por vossas próprias barreiras. “As frestas são portas que vos conectam ao que evitais,” murmura o Vulto de Sibila, convidando-vos a espiar o que se encontra além.
Enquanto observais a alma tremulante, imagens começam a surgir. Ali estão fragmentos de vós mesmos — as palavras não ditas que ficaram presas entre os lábios, os desejos adiados que aguardam por coragem, os olhares que buscaram, mas nunca encontraram. Cada fresta é um convite para explorar, uma porta entreaberta para o desconhecido.
“As frestas do entardecer não vos acusam; elas vos libertam,” diz o Menestrel. Ele vos desafia a olhar além do medo, a penetrar as lacunas onde se escondem verdades que precisam ser reveladas. Pois cada fenda, por menor que pareça, é uma oportunidade de enxergar o que antes estava oculto.
Ao tocar a alma do Vulto de Sibila, sentis a vibração de algo vivo, como se as frestas sussurrassem diretamente à vossa consciência. “O que vedes nas frestas não é apenas o passado, mas também o potencial do que ainda podeis ser,” murmura o Vulto de Sibila, enquanto as imagens se tornam mais nítidas.
Agora vedes não apenas as fendas, mas os horizontes que elas revelam. Cada fresta que parecia insignificante transforma-se em um portal para uma compreensão mais profunda de vossas escolhas, de vossos medos e de vossas esperanças. O Vulto de Sibila reflete não apenas o que está quebrado, mas também o que pode ser curado.
“Nas frestas do entardecer, encontrais não apenas vossa vulnerabilidade, mas vossa força para encarar o que está por vir,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a não recuar diante do que vedes, mas a abraçar as aberturas como oportunidades de crescimento.
Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de possibilidades. Vedes não apenas vossa imagem, mas os caminhos que se abrem através das frestas, prometendo novas descobertas e transformações.
Nas frestas do entardecer, encontrais não apenas o que foi perdido, mas o que ainda podeis construir, um futuro moldado pela coragem de explorar o desconhecido.
(Betto Gasparetto – iii/xx)
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