NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (12/33)

(Betto Gasparetto)

Adágio XII – Sob o Véu das Memórias

By Dall-E 3

Quando a noite avança e o silêncio se aprofunda, o Vulto de Sibila torna-se mais do que um simples entardecer; ele é um véu que oculta as memórias que recusais revisitar. Sua alma reluz, quase pulsando com uma energia que parece convidar-vos a olhar além do visível. “O que guardais sob este véu?” pergunta o Menestrel, sua voz ecoando como um suspiro perdido no tempo.

Vós, que hesitais em tocar o véu, percebeis que ele não é apenas um obstáculo, mas também uma proteção. Cada dobra do tecido invisível que cobre vossas memórias guarda um fragmento de vosso passado — uma promessa esquecida, um amor que desvaneceu, um sonho que nunca se realizou. “As memórias que ocultais não são vossas inimigas; são vossas mestras,” murmura o Vulto de Sibila.

As primeiras imagens que surgem são nebulosas, como se estivessem presas entre a claridade e a sombra. Lá está uma mão que quase tocou outra, mas recuou no último instante. Ali, um sorriso que prometia eternidade, mas que desapareceu como um eco distante. Cada entardecer devolve-vos algo que julgáveis esquecido, mas que ainda pulsa, aguardando por reconhecimento.

“Sob o véu das memórias encontrais não apenas o passado, mas o potencial de compreendê-lo,” diz o Vulto de Sibila. E vós percebeis que ele não busca ferir-vos com essas revelações; ele deseja libertar-vos. Cada lembrança é um fio que conecta quem sois com quem fostes, tecendo uma narrativa que pede para ser compreendida.

Enquanto observais, o véu começa a se mover. Ele ondula suavemente, revelando mais do que imagináveis. Vedes cenas que antes evitastes encarar: a despedida que deixou palavras por dizer, o encontro que mudou tudo, mas que terminou tão abruptamente quanto começou. O Vulto de Sibila não vos julga; ele vos convida a olhar com honestidade para o que foi.

“As memórias ocultas não são fardos; são chaves para vossa liberdade,” murmura o Menestrel. E então percebeis que, ao levantar o véu, não encontrareis apenas dor, mas também lições. Cada lembrança é uma oportunidade de aprendizado, um passo em direção à compreensão mais profunda de vós mesmos.

O Vulto de Sibila reflete agora não apenas o passado, mas também o futuro. As memórias que antes pareciam pesadas agora brilham com uma nova luz. Elas não vos definem, mas vos moldam. O véu, antes uma barreira, transforma-se em um portal que vos permite atravessar o que parecia intransponível.

As cenas mudam novamente. Vedes vossas próprias mãos levantando o véu, revelando um caminho que leva a um campo de possibilidades infinitas. O Vulto de Sibila vos devolve não apenas vossa imagem, mas vossa coragem. Ele vos lembra que o que está escondido não é perigoso; é apenas desconhecido.

“Sob o véu das memórias encontrais não apenas o que foi perdido, mas o que ainda podeis encontrar,” afirma o Menestrel. E vós percebeis que a jornada não termina ao encarar o passado; ela começa ao compreendê-lo.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer mais pleno. Vedes não apenas o véu que foi levantado, mas o horizonte que ele revelou. Cada memória, mesmo a mais dolorosa, é agora uma parte de vossa história, uma parte de quem sois.

Sob o véu das memórias encontrais a paz que advém da compreensão, a coragem de seguir em frente e a esperança de um futuro moldado pela sabedoria do passado.

(Betto Gasparetto – iv/xx)

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