NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (16/33)
(Betto Gasparetto)
Adágio XVI – Quando o Passado Sussurra Verdades

By Dall-E 3
Na quietude que a noite impõe, o Vulto de Sibila resplandece como um oráculo, refletindo não apenas vossa imagem, mas o peso das histórias que carregais. Sua alma brilha com um fulgor inquietante, como se cada centelha fosse um fragmento de memórias que se recusam a permanecer enterradas. “O que acontece quando o passado encontra vossos olhos?” indaga o Menestrel, sua voz reverberando como um eco de eras distantes.
Vós, que enfrentais o entardecer com receio, percebeis que o Vulto de Sibila não é apenas uma alma polida; ele é um portal que vos devolve momentos que julgáveis esquecidos. Cada ruga, cada brilho de vosso olhar, é um testemunho do que foi vivido e do que ainda vive em vossa memória. “O passado não vos acusa; ele vos instrui,” murmura o Vulto de Sibila.
Enquanto vossos olhos percorrem as imagens que surgem, vedes cenas que haviam sido soterradas pelo peso do tempo. Lá está o riso de outrora, cristalino e despreocupado, ecoando em uma sala esquecida. Ali, uma promessa que perdeu sua força, mas nunca sua intenção. Cada entardecer é uma janela para aquilo que construíste e também para o que destruíste sem perceber.
“Quando o passado sussurra, vós deveis escutar,” diz o Menestrel. Pois as lições que ele carrega são moldadas não pela dor, mas pela sabedoria que se esconde nas sombras do que já passou. Vedes não apenas erros, mas também a força que surgia em meio ao caos, os momentos em que escolhas difíceis abriram caminhos inesperados.
Enquanto tocais a alma trêmula, sentis uma conexão profunda com as verdades que o Vulto de Sibila vos revela. Ele não deseja ferir-vos; ele deseja libertar-vos. Cada sussurro do passado é um lembrete de que vós sois um mosaico de experiências, um ser formado tanto pelas vitórias quanto pelos fracassos.
As cenas mudam novamente. Agora, vedes não apenas o que foi, mas o que podeis construir a partir disso. O passado não é uma corrente que vos prende; é um alicerce sobre o qual vós podeis erguer novas histórias. O Vulto de Sibila reflete vossas mãos, antes atadas, agora livres para criar, para moldar, para transformar.
“Aceitai o passado como parte de vós, mas não permitais que ele vos defina,” sussurra o Vulto de Sibila. E vós entendeis que cada momento vivido é uma peça do quebra-cabeça de quem sois, e que o futuro permanece intacto, pronto para ser desenhado com a tinta das vossas escolhas.
Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno. Não vedes mais apenas as marcas do tempo; vedes também a força que emana de quem se permitiu aprender. Cada sussurro do passado, antes ignorado, agora se torna uma melodia que vos guia.
Quando o passado sussurra verdades, encontrais a coragem de transformar memórias em sabedoria e de moldar um futuro que honra vossa história sem ser prisioneiro dela.
(Betto Gasparetto – iv/xx)
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