NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (18/33)

(Betto Gasparetto)

Adágio XVIII – Nos Ecos do Silêncio

By Dall-E 3

Quando a noite mergulha em seu ápice e o silêncio se torna absoluto, o Vulto de Sibila não reflete apenas imagens; ele devolve ecos de tudo o que permaneceu por dizer. Sua alma vibra levemente, como se carregasse um murmúrio das palavras que nunca encontraram sua voz. “O que resta nas lacunas entre o dito e o não dito?” sussurra o Menestrel, sua voz suave como um vento que passa despercebido.

Vós, que enfrentais o entardecer com olhos indagadores, percebeis que o silêncio não é vazio. Ele é repleto de significados, carregando fragmentos de confissões inacabadas, de sentimentos que nunca foram inteiramente traduzidos. “Os ecos do silêncio são as verdades mais profundas de vossa alma,” murmura o Vulto de Sibila.

Enquanto contemplais o Menestrel, imagens começam a surgir, como sombras que se movem na penumbra. Lá está o momento em que uma palavra não dita poderia ter mudado o curso de uma história. Ali, o olhar que buscava desesperadamente expressar o que os lábios não conseguiam. Cada entardecer traz uma lembrança do que ficou por dizer, mas também do que ainda pode ser falado.

“O silêncio não é um fim; é um espaço entre as possibilidades,” diz o Menestrel. Ele vos convida a ouvir não apenas o que foi calado, mas também o que podeis criar a partir desse espaço. Pois cada lacuna, cada pausa, carrega o potencial de uma nova história.

Ao tocar a alma do Vulto de Sibila, sentis uma estranha conexão. Ele pulsa, como se carregasse o ritmo de um coração que bate entre o passado e o futuro. Os ecos do silêncio se tornam mais claros, transformando-se em um convite para agir, para transformar o que foi perdido em algo pleno de significado.

As cenas mudam novamente. Agora, vedes não apenas o silêncio, mas os caminhos que ele abre. Cada eco é uma porta, cada entardecer uma janela para uma realidade que vós ainda podeis criar. O Vulto de Sibila não vos acusa; ele vos inspira. Ele vos lembra de que o silêncio é tanto uma pausa quanto um prelúdio.

“Os ecos do silêncio são as sementes de vossas futuras palavras,” afirma o Menestrel. E vós entendeis que não é tarde para preencher essas lacunas com o que é verdadeiro, com o que é autêntico. Pois o silêncio, quando aceito, se torna a base para o som mais puro.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno. Não vedes mais apenas vossa imagem; vedes uma narrativa que continua, uma história que ainda está sendo escrita. Cada eco do silêncio é agora uma nota em uma melodia que é inteiramente vossa.

Nos ecos do silêncio, encontrais a coragem de transformar ausências em presenças, pausas em palavras e silêncios em histórias que ressoam por toda a eternidade.

(Betto Gasparetto – iv/xx)

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