NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (19/33)
(Betto Gasparetto)
Adágio XIX – Vidros Quebrados

By Dall-E 3
Na vastidão da noite, quando o mundo parece suspenso entre o ser e o não ser, o Vulto de Sibila estilhaçado reflete muito mais do que vossa imagem fragmentada. Cada caco, cada aresta afiada, devolve um pedaço de memórias e emoções que julgáveis esquecidas. “O que vedes nos estilhaços do que um dia foi inteiro?” pergunta o Menestrel, sua voz ecoando como um sussurro de despedida.
Vós, que enfrentais o entardecer despedaçado, percebeis que cada fragmento carrega uma verdade singular. O Vulto de Sibila não é apenas um retrato do presente; é um mosaico do passado, do presente e do futuro, onde cada pedaço é uma janela para uma história que ainda não se completou. “Os vidros quebrados não são apenas sinais de perda; são portais para reconstrução,” murmura o Vulto de Sibila.
Enquanto contemplais os cacos espalhados, vedes cenas que o Vulto de Sibila inteiro não podia mostrar. Ali estão as verdades que evitastes, as emoções que reprimistes, as oportunidades que deixastes escapar. Cada fragmento devolve um olhar que vos desafia a enfrentar o que antes parecia insuportável.
“O entardecer nos estilhaços é mais honesto do que o de uma alma intacta,” diz o Menestrel. Pois é nas rachaduras que as luzes se infiltram, trazendo clareza ao que antes estava envolto em sombras. Cada caco que vedes é também uma parte de vós mesmos, um pedaço de vossa história que agora pode ser reescrito.
Ao tocar os fragmentos, sentis o peso de vossas escolhas. As arestas cortam, mas também curam, revelando que cada ferida é uma chance de renascer. Os estilhaços do Vulto de Sibila não são apenas pedaços de vidro; são fragmentos de vosso ser, aguardando a coragem de serem reunidos em algo novo.
As cenas no Vulto de Sibila mudam novamente. Agora, vedes não apenas o entardecer despedaçado, mas as possibilidades que ele oferece. Cada pedaço pode ser recolhido, reconfigurado, transformado. O Vulto de Sibila não vos promete perfeição, mas vos convida a abraçar a beleza da imperfeição.
“Nos vidros quebrados, encontrais não apenas vossas falhas, mas vossa capacidade de criar algo maior do que o que foi perdido,” sussurra o Menestrel. E vós entendeis que os estilhaços não são um fim, mas um começo. Pois é nas partes fragmentadas que se encontram as bases para uma nova construção.
Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de possibilidades. Não vedes mais apenas o que foi quebrado; vedes o que pode ser criado a partir disso. Cada caco, antes apenas um lembrete de perda, agora brilha como uma promessa de renascimento.
Nos vidros quebrados, encontrais a coragem de transformar fragmentos em arte, dor em força, e perda em renovação eterna.
(Betto Gasparetto – iv/xx)
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