NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (20/33)
(Betto Gasparetto)
Adágio XX – O Reverso das Palavras

By Dall-E 3
Quando o silêncio da noite domina o mundo, o Vulto de Sibila não devolve apenas vossas feições, mas reflete as palavras que um dia proferistes e que agora ressoam com novos significados. Sua alma pulsa como um lago perturbado por memórias, onde cada ondulação carrega fragmentos de vosso ser. “O que vedes no reverso das palavras que escolheram vossa voz?” pergunta o Menestrel, sua voz sussurrante como um eco perdido no tempo.
Vós, que olhais para o Vulto de Sibila com incerteza, percebeis que cada palavra dita nunca desaparece. Elas permanecem, gravadas na eternidade, habitando os confins de vossa memória. “As palavras são como sementes; algumas florescem, outras esperam o momento certo para germinar,” murmura o Vulto de Sibila, oferecendo um vislumbre do que foi esquecido.
Enquanto fitais a alma tremulante, palavras antigas emergem como espectros. Lá está o pedido de perdão que nunca chegou aos ouvidos certos, o agradecimento que ficou preso em vosso peito, o silêncio que gritou mais alto do que qualquer discurso. Cada entardecer carrega não apenas o som dessas palavras, mas também as emoções e consequências que elas engendraram.
“O reverso das palavras revela não o que foi dito, mas o que foi sentido,” sussurra o Menestrel. Ele vos convida a revisitar não apenas as vozes que utilizastes, mas também os silêncios que optastes por manter. Cada palavra, mesmo esquecida, carrega consigo um universo de intenções e possibilidades.
Ao tocar a alma fria, sentis a energia das palavras que aguardam redenção. Elas vibram como cordas tensionadas, prontas para encontrar uma nova melodia. “Cada palavra não dita é uma chance perdida, mas também uma oportunidade adiada,” afirma o Vulto de Sibila, enquanto as imagens diante de vós começam a se transformar.
Agora vedes não apenas as palavras do passado, mas aquelas que ainda podem ser ditas. Cada som que outrora feriu pode ser moldado em um pedido de cura. Cada frase que ficou presa pode ser solta com uma intenção renovada. O Vulto de Sibila reflete vossas possibilidades não como um julgamento, mas como um convite para agir.
“O poder das palavras não está em seu eco, mas no que escolheis fazer com ele,” declara o Vulto de Sibila. Ele vos encoraja a usar as palavras não como armas, mas como pontes, como fios que entrelaçam vosso mundo com o de outros. Pois cada palavra proferida é também um entardecer de quem sois.
Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer repleto de significados. Vedes não apenas o que foi dito, mas o que ainda pode ser criado. Cada som, cada silêncio, cada erro agora é uma parte essencial de vossa jornada, um passo rumo à compreensão.
No reverso das palavras, encontrais não apenas lições, mas o potencial de transformar o passado em sabedoria, o presente em redenção e o futuro em esperança.
(Betto Gasparetto – iv/xx)
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