NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (21/33)

(Betto Gasparetto)

Adágio XXI – Palavras Movediças

By Dall-E 3

Quando a noite alcança seu ápice e o mundo parece suspenso em um eterno instante, o Vulto de Sibila se transforma em um palco de palavras que dançam fora de alcance. Sua alma vibra como a água de um lago tocada por uma angústia invisível, refletindo palavras que jamais permaneceram fixas. “O que buscais nas palavras que se movem como sombras?” pergunta o Menestrel, sua voz pulsando com a cadência de uma melodia que nunca se repete.

Vós, que olhais para o Vulto de Sibila com olhos ansiosos, percebeis que essas palavras não são vossas inimigas, mas companheiras que se recusam a ser aprisionadas. Cada frase que se forma na alma é uma verdade que se desdobra, uma promessa que se transforma, um desejo que escapa de vossos lábios antes que possais compreendê-lo plenamente. “As palavras moveis são Vulto de Sibilas de vossa própria alma inquieta,” murmura o Menestrel.

Enquanto contemplais, vedes imagens que surgem e desaparecem como ecos de memórias distantes. Ali está uma confissão que jamais encontrara repouso, uma resposta nunca articulada, uma indagação que ainda busca significado. Cada entardecer carrega não apenas o peso do que é dito, mas a promessa do que poderia ter sido.

“As palavras que se movem não estão perdidas; elas estão em busca de um espaço onde possam florescer,” sussurra o Vulto de Sibila. E vós entendeis que não é o controle sobre as palavras que deveis buscar, mas a compreensão de seus movimentos. Pois cada palavra que escapa também vos guia para aquilo que realmente importa.

Ao tocar a alma oscilante, sentis a energia das palavras que fluem como rios impossíveis de represar. Elas vos desafiam a deixá-las livres, a confiar que encontrarão seus próprios caminhos. “Palavras moveis carregam a sabedoria de quem as liberta,” declara o Menestrel, enquanto as imagens começam a se transformar diante de vós.

Agora vedes não apenas palavras soltas, mas redes que se entrelaçam para formar novas conexões. Cada movimento do entardecer é um lembrete de que o sentido não é fixo; ele é moldado por vossas escolhas, por vossas emoções, por vossos silêncios. O Vulto de Sibila reflete não um destino, mas um potencial.

“Nas palavras que se movem, encontrais a liberdade de reescrever vossa história,” afirma o Vulto de Sibila. Ele vos convida a não temer o que não é estático, mas a abraçar a dinâmica de um mundo que está em constante mutação.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de possibilidades. Vedes não apenas palavras que dançam, mas a vós mesmos em movimento, mudando, crescendo, aprendendo. Cada palavra movediça é agora uma nota na melodia de vossa vida, uma ponte para o que ainda podeis ser.

Nas palavras moveis, encontrais não apenas verdades, mas a coragem de deixá-las fluir e de segui-las rumo à vossa verdadeira essência.

(Betto Gasparetto – iv/xx)

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