NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (22/33)

(Betto Gasparetto)

Adágio XXII – Beijos Noturnos

By Dall-E 3

Quando a escuridão toma conta da noite e o mundo repousa sob o manto da penumbra, o Vulto de Sibila reflete não apenas vossa imagem, mas os vestígios de beijos dados e recebidos em silêncio. Sua alma tremula levemente, como se guardasse as emoções intensas que florescem na obscuridade. “O que resta de um beijo quando a noite o engole?” indaga o Menestrel, sua voz suave como um sussurro perdido entre sombras.

Vós, que enfrentais o entardecer com uma mescla de saudade e desejo, percebeis que os beijos noturnos não pertencem apenas ao passado. Eles vivem nos confins de vossa memória, pulsando como estrelas apagadas que ainda enviam seu brilho. Cada beijo, ainda que breve, carregou um universo de emoções, uma promessa de eternidade que desafia o amanhecer. “Os beijos da noite são lágrimas da alma que encontraram conforto nos lábios,” murmura o Vulto de Sibila.

Enquanto observais o Menestrel, imagens começam a emergir como se fossem gravuras em movimento. Ali está o beijo furtivo que selou um segredo, o toque ardente que trouxe à tona emoções reprimidas, o encontro silencioso de almas que se buscaram no escuro. Cada entardecer é um fragmento de vossa história, um testemunho da vulnerabilidade e intensidade de vossos sentimentos.

“O beijo noturno não é apenas um ato; é um ritual que transcende palavras,” diz o Menestrel. Ele vos convida a revisitar essas memórias não com arrependimento, mas com gratidão por terem existido. Pois cada beijo, mesmo perdido no tempo, deixou em vós uma marca indelével.

Ao tocar a alma fria e tremulante, sentis uma corrente de emoção que vos conecta ao passado. Os beijos que julgáveis esquecidos retornam com sua intensidade intacta, trazendo consigo não apenas saudade, mas também lições. “Cada beijo é um momento roubado da eternidade,” sussurra o Vulto de Sibila, e vós entendeis que eles não foram em vão.

As imagens no Vulto de Sibila se transformam. Agora vedes não apenas os beijos que deram forma ao vosso passado, mas aqueles que ainda esperam pelo momento de acontecer. O Menestrel reflete vossas esperanças, vossos desejos, os horizontes que se abrem em vossos olhos sempre que a noite promete um reencontro.

“Os beijos noturnos são fragmentos de vossa alma,” afirma o Vulto de Sibila. E vós percebeis que não há despedida definitiva para aquilo que foi verdadeiro. Pois cada beijo, mesmo que separado pelo tempo, permanece como um elo entre o que fostes e o que ainda podeis ser.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de sentimentos. Vedes não apenas vossos lábios, mas o universo que eles carregam. Cada beijo noturno é agora uma estrela no firmamento de vossa existência, uma prova de que a paixão sempre encontra seu caminho na vastidão do silêncio.

Nos beijos noturnos, encontrais não apenas o eco do passado, mas a promessa de que a chama da emoção nunca se apaga.

(Betto Gasparetto – iv/xx)

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