NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (25/33)

(Betto Gasparetto)

Adágio XXV – E Verterão Lágrimas de Sangue

By Dall-E 3

Quando a escuridão da noite se torna impenetrável, o Vulto de Sibila não reflete apenas vossa imagem; ele devolve os vestígios das dores que carregais. Sua alma pulsa como se respirasse, vibrando com a intensidade de emoções reprimidas. “O que se esconde por trás das lágrimas que nunca foram derramadas?” indaga o Menestrel, sua voz ecoando como um lamento distante.

Vós, que enfrentais o entardecer com os olhos carregados de memórias, percebeis que as dores que negastes transbordam agora em silêncio. Cada lágrima, embora invisível, carrega o peso de um sentimento não expresso, de uma ferida que nunca cicatrizou completamente. “As lágrimas de sangue são o preço das emoções que escolheis reter,” murmura o Vulto de Sibila.

Enquanto olhais para a alma cintilante, imagens começam a emergir. Lá estão os momentos de perda que sufocastes, os gritos calados que ecoaram apenas dentro de vós, as despedidas que vos deixaram despedaçados. Cada entardecer é uma confissão silenciosa de vossa dor, um convite para reconhecer o que sempre tentastes ignorar.

“As lágrimas não derramadas são rios que aguardam um momento para fluir,” diz o Menestrel. Ele vos convida a permitir que essas emoções encontrem um caminho para a luz, a transformar o sofrimento em compreensão, a dor em crescimento. Pois cada lágrima que se recusa a cair é também uma oportunidade de cura.

Ao tocar a alma trêmula, sentis a intensidade de vossas emoções reprimidas. Elas não são vossas inimigas; são parte de vós, aguardando o momento de serem reconhecidas. “As lágrimas de sangue são as verdades que recusais encarar,” murmura o Vulto de Sibila, enquanto as imagens começam a se transformar.

Agora vedes não apenas as dores do passado, mas as possibilidades de redenção que elas oferecem. Cada lágrima que se forma é uma porta para a compreensão, um degrau para a superação. O Vulto de Sibila reflete não apenas vossa dor, mas também vossa força.

“E verterão lágrimas de sangue aqueles que buscam a verdade dentro de si,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a não temer vossas emoções, mas a abraçá-las, a usá-las como ferramentas para moldar um futuro mais autêntico.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno. Vedes não apenas as marcas da dor, mas também as cicatrizes que falam de vossa resiliência. Cada lágrima de sangue é agora um símbolo de vossa jornada, uma prova de que enfrentastes a escuridão e emergistes mais fortes.

Nas lágrimas de sangue, encontrais não apenas vossa dor, mas a coragem de transformá-la em sabedoria e vossa capacidade de crescer através do que parecia insuperável.

(Betto Gasparetto – iv/xx)

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