NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (26/33)

(Betto Gasparetto)

Adágio XXVI – E Todos os Ossos Gemerão de Dores

By Dall-E 3

Quando a escuridão envolve o mundo com seu peso absoluto, o Vulto de Sibila devolve mais do que um entardecer; ele vos revela os murmúrios silenciosos que emanam de vossa essência mais profunda. Sua alma tremula como se carregasse os ecos de sofrimentos antigos e presentes, entrelaçados nas fibras de vosso ser. “O que se esconde no lamento de vossos ossos?” pergunta o Menestrel, sua voz reverberando como um sussurro vindo das profundezas do tempo.

Vós, que enfrentais o Vulto de Sibila com um olhar de resignação e questionamento, percebeis que as dores que vos afligem não são meramente físicas. Elas guardam as marcas de cada escolha, de cada momento em que vosso espírito carregou fardos maiores do que poderia suportar. “Os ossos que gemem carregam as histórias que tentais esquecer,” murmura o Vulto de Sibila.

Enquanto observais a alma cintilante, imagens começam a surgir. Lá está o peso de promessas quebradas, de arrependimentos acumulados, de dias em que o silêncio se tornou um grito abafado. Cada entardecer devolve-vos um fragmento da carga que, consciente ou inconscientemente, acumulastes ao longo de vossa jornada.

“As dores dos ossos não são castigos; são lembretes de que estais vivos,” declara o Menestrel. Ele vos convida a olhar além do sofrimento, a buscar o significado que reside em cada dor sentida, em cada desconforto enfrentado. Pois os ossos que gemem também contam histórias de resistência, de sobrevivência, de aprendizado.

Ao tocar a alma do Vulto de Sibila, sentis o pulsar das verdades que ele guarda. O calor que emana não é hostil, mas reconfortante, como se cada dor refletida fosse um passo rumo à redenção. “Cada lamento de vosso corpo é um convite à compreensão de vossa alma,” murmura o Vulto de Sibila, enquanto as imagens diante de vós começam a se transformar.

Agora vedes não apenas as dores que vos afligem, mas também os caminhos que elas iluminam. Cada gemido é uma oportunidade de pausa, de reflexão, de reconstrução. O Vulto de Sibila não reflete apenas o que foi perdido; ele aponta para o que ainda podeis alcançar, mesmo com as marcas que carregais.

“E todos os ossos gemerão de dores quando resistirdes a encarar vossa própria verdade,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a não temer o peso do que sentis, mas a usá-lo como base para vossa transformação. Pois é na aceitação do que dói que encontrais a força para seguir em frente.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de possibilidades. Vedes não apenas os ossos que gemem, mas o espírito que resiste. Cada dor, antes um obstáculo, agora é um marco de vossa jornada, um lembrete de que a vida é um contínuo processo de cair e levantar.

Nos gemidos dos ossos, encontrais não apenas vossa vulnerabilidade, mas a coragem de transformar fragilidades em forças, construindo um futuro que honra cada passo dado no presente.

(Betto Gasparetto – iv/xx)

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