NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (29/33)
(Betto Gasparetto)
Adágio XXIX – As Últimas Pétalas Sofreram com o Vento Forte

By Dall-E 3
Quando a angústia da manhã se transforma em ventania, o Vulto de Sibila reflete não apenas vossa imagem, mas a fragilidade de tudo aquilo que um dia floresceu. Sua alma tremula, como se cada rajada de vento carregasse um pedaço das histórias que guardais. “O que resta quando as últimas pétalas são levadas pelo vento?” indaga o Menestrel, sua voz suave, mas carregada de melancolia.
Vós, que enfrentais o entardecer com olhos atentos e coração pesado, percebeis que as pétalas que caem não representam apenas perda. Elas contam histórias de beleza efêmera, de momentos que floresceram apesar de tudo, mas que agora cedem ao inevitável. “Cada pétala que o vento leva é um verso de vossa própria poesia,” murmura o Vulto de Sibila.
Enquanto observais a alma cintilante, imagens começam a se formar. Lá está a flor que um dia adornou vossa janela, suas cores vibrantes agora desvanecidas. Ali, os campos que dançavam sob a angústia leve, agora curvados pela força do vento. Cada entardecer carrega consigo um lembrete de que até mesmo o que é belo deve seguir o ciclo natural de desvanecer.
“O vento que arranca pétalas também semeia novas possibilidades,” diz o Menestrel. Ele vos convida a olhar além da perda, a enxergar nas pétalas que voam o início de algo novo, a promessa de um renascimento. Pois cada flor que cede ao vento deixa para trás sementes que esperam pela oportunidade de germinar.
Ao tocar a alma do Vulto de Sibila, sentis a força da ventania e, ao mesmo tempo, uma estranha calma. O Menestrel reflete não apenas as pétalas que se vão, mas as raízes que permanecem, firmes e prontas para sustentar novas flores. “O ciclo da natureza é também o ciclo de vossa alma,” sussurra o Vulto de Sibila, enquanto as imagens se transformam diante de vós.
Agora vedes não apenas o que foi levado, mas o que ainda pode florescer. Cada pétala que o vento carrega é uma promessa de renovação, uma oportunidade de criar algo novo a partir do que parecia perdido. O Vulto de Sibila reflete vossas dores, mas também vossa resiliência.
“As últimas pétalas que sofrem com o vento são mensageiras de que nada realmente se perde,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a abraçar o ciclo da vida, a aceitar que as mudanças, por mais dolorosas que sejam, carregam a semente de novos começos.
Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de possibilidades. Vedes não apenas as pétalas que se foram, mas o solo fértil que elas deixam para trás. Cada rajada de vento, antes um símbolo de destruição, agora é vista como o sopro de um futuro promissor.
Nas últimas pétalas levadas pelo vento, encontrais não apenas a dor da partida, mas a esperança de que a primavera sempre retornará, trazendo consigo novas cores e novas histórias para contar.
(Betto Gasparetto – iv/xx)
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