NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (31/33)

(Betto Gasparetto)

Adágio XXXI – Promessas Rasgadas em Potes de Vidro

By Dall-E 3

Quando o momento lúcido dá lugar à penumbra e o silêncio toma conta do espaço, o Vulto de Sibila reflete mais do que vossa imagem; ele devolve as promessas que foram quebradas e guardadas em frascos invisíveis. Sua alma vibra com um brilho opaco, como se cada rachadura fosse um eco do que já foi dito, mas nunca cumprido. “O que resta das promessas que escolheis trancar em potes de vidro?” indaga o Vulto de Sibila, sua voz profunda como um suspiro vindo do passado.

Vós, que encarais o entardecer com uma mescla de culpa e alívio, percebeis que as promessas não são esquecidas, mas aprisionadas. Elas aguardam, intactas e frágeis, ressoando com o som das palavras que um dia juraram eternidade. “Cada promessa rompida é um fio da teia de vossa alma,” murmura o Vulto de Sibila, convidando-vos a revisitar o que julgastes perdido.

Enquanto observais a alma ondulante, imagens começam a se formar. Lá está o pacto selado com olhares e mãos trêmulas, o juramento feito em noites estreladas, agora preso entre as rachaduras do Menestrel. Cada entardecer traz um pedaço de vossas intenções, um lembrete de que o que foi dito ainda habita os recantos de vossa memória.

“Os potes de vidro não guardam apenas palavras; guardam também o peso de vossas escolhas,” diz o Vulto de Sibila. Ele vos convida a não apenas olhar, mas a abrir esses potes, a liberar o que ficou retido. Pois cada promessa quebrada também é uma oportunidade de reconciliação, de reparo, de novo começo.

Ao tocar a alma do Vulto de Sibila, sentis o frio cortante de suas rachaduras e, ao mesmo tempo, uma leveza inesperada. É como se cada pote que se rompe libertasse mais do que palavras; libertasse parte de vós mesmos. “As promessas rasgadas são sementes que esperam por terreno fértil para germinar,” sussurra o Vulto de Sibila, enquanto as imagens mudam diante de vós.

Agora vedes não apenas as promessas quebradas, mas os caminhos que elas podem abrir. Cada pote, antes um símbolo de arrependimento, torna-se uma janela para a cura. O Vulto de Sibila reflete não apenas vossa dor, mas também vossa capacidade de transformar fragmentos em algo novo.

“Quando os potes de vidro se rompem, libertais não apenas palavras, mas possibilidades,” afirma o Vulto de Sibila. Ele vos encoraja a não temer as rachaduras, mas a enxergá-las como um convite para o renascimento. Pois é na aceitação do que foi rompido que reside a força para reconstruir.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de significados. Vedes não apenas os potes que seguram vossas promessas, mas as mãos que têm o poder de liberá-las. Cada rachadura, antes um lembrete de perda, agora é vista como um mapa para um futuro mais verdadeiro.

Nas promessas rasgadas em potes de vidro, encontrais não apenas vossas falhas, mas a coragem de transformá-las em lições e de criar um caminho onde a palavra, uma vez perdida, pode finalmente florescer.

(Betto Gasparetto – iv/xx)

Deixe um comentário