NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (32/33)

(Betto Gasparetto)

Adágio XXXII – No Outro Lado da Rua o Vento Soprou um Silêncio

By Dall-E 3

Quando o vento percorre a rua deserta, o Vulto de Sibila reflete não apenas vossa imagem, mas os ecos de um silêncio que parece ter voz própria. Sua alma vibra com a presença de algo invisível, como se o ar carregasse os sussurros de palavras não ditas e memórias não vividas. “O que vos diz o silêncio que o vento traz?” indaga o Vulto de Sibila, sua voz etérea como o próprio som do vazio.

Vós, que encarais o entardecer com uma mistura de curiosidade e melancolia, percebeis que o vento que sopra do outro lado da rua não é apenas um movimento do ar; ele é um mensageiro de tudo o que ficou por dizer, de tudo o que foi deixado para trás. “O silêncio do vento é o Vulto de Sibila de vossa própria alma inquieta,” murmura o Menestrel, convidando-vos a escutar o que não pode ser ouvido.

Enquanto observais a alma tremulante, imagens começam a se formar, nebulosas como a neblina que o vento carrega. Lá está a figura que um dia se afastou sem olhar para trás, o momento em que palavras poderiam ter feito toda a diferença, mas foram sufocadas pelo medo. Cada entardecer é um fragmento de uma história interrompida, uma peça de um quebra-cabeça incompleto.

“O silêncio do vento não é vazio; ele está repleto de possibilidades,” diz o Vulto de Sibila. Ele vos convida a não apenas ouvir, mas a sentir, a permitir que o vazio fale e que suas mensagens encontrem um lugar em vosso coração. Pois cada rajada, por mais suave ou intensa que seja, carrega consigo a energia de algo que está por vir.

Ao tocar a alma do Vulto de Sibila, sentis o frio do vento que ele reflete, mas também um calor inesperado. É como se o silêncio que parecia tão distante agora se tornasse parte de vós. “O vento que traz silêncio também traz respostas,” murmura o Vulto de Sibila, enquanto as imagens diante de vós se tornam mais nítidas.

Agora vedes não apenas o vento que sopra, mas as portas que ele abre. Cada silêncio carregado por ele é uma oportunidade de introspecção, de reencontro consigo mesmo. O Vulto de Sibila reflete vossa capacidade de transformar o vazio em plenitude, de ouvir o que o silêncio tem a ensinar.

“No outro lado da rua, onde o vento sopra um silêncio, encontrais não apenas a ausência de som, mas a presença de vossa verdade,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a não temer o silêncio, mas a abraçá-lo como um espaço de crescimento e descoberta.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de significados. Vedes não apenas o vento e o silêncio, mas vossa própria jornada, que continua a ser escrita mesmo nos momentos em que as palavras faltam. Cada rajada é agora um lembrete de que, mesmo na ausência, há sempre algo a ser encontrado.

No vento que sopra o silêncio, encontrais não apenas a quietude, mas a promessa de que, além do vazio, há sempre uma nova melodia esperando para ser ouvida.

(Betto Gasparetto – iv/xx)

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