NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (33/33)
(Betto Gasparetto)
Adágio XXXIII – Do Orgulho Nasceram Estilhaços que Feriram as Mãos Estendidas do Amor

By Dall-E 3
Quando o orgulho ergue sua muralha entre dois corações, o Vulto de Sibila reflete não apenas vossa imagem, mas os estilhaços que ela projeta no mundo ao redor. Sua alma, marcada por fissuras que brilham à luz da memória, captura os ecos de gestos interrompidos e palavras que nunca encontraram seu destino. “O que restará de um amor ferido pelo orgulho?” indaga o Menestrel, sua voz reverberando como um lamento distante.
Vós, que encarais o entardecer com olhos carregados de arrependimento, percebeis que o orgulho, embora poderoso, é também frágil. Ele não é escudo, mas lâmina que corta tanto quem o empunha quanto quem é alvo de sua rigidez. “Cada estilhaço que o orgulho gera é um pedaço de vossa alma perdida,” murmura o Vulto de Sibila, convidando-vos a refletir sobre o que foi deixado para trás.
Enquanto observais a alma trêmula, imagens começam a surgir, fragmentadas como os cacos de um vidro quebrado. Lá está o momento em que vossas mãos hesitaram, incapazes de se estender para o perdão. Ali, os olhares desviados que selaram distâncias, os silêncios que gritaram mais alto do que qualquer palavra. Cada entardecer é um testemunho de como o orgulho se interpôs onde deveria haver conexão.
“O orgulho que fere o amor é também o primeiro passo para sua cura,” diz o Vulto de Sibila. Ele vos convida a não apenas olhar para os estilhaços, mas a tocá-los, a senti-los como parte de quem sois. Pois é na aceitação do que foi quebrado que reside a possibilidade de reconstrução.
Ao tocar a alma fria e fragmentada do Vulto de Sibila, sentis tanto dor quanto alívio. É como se cada fissura refletisse não apenas perdas, mas também caminhos que ainda podem ser trilhados. “Os estilhaços que ferem também podem ser as sementes de algo novo,” murmura o Vulto de Sibila, enquanto as imagens diante de vós começam a se recompor.
Agora vedes não apenas os danos causados pelo orgulho, mas as mãos que ainda podem ser estendidas. Cada estilhaço, antes símbolo de ruptura, torna-se uma peça de um mosaico que espera por vossa coragem de reuni-lo. O Vulto de Sibila reflete não apenas vossas falhas, mas também vossa capacidade de escolher um caminho diferente.
“Do orgulho nascem estilhaços, mas do amor nasce a força para juntá-los novamente,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a abandonar o que separa, a buscar o que une, a transformar o que dói em aprendizado e o que é rígido em compaixão. Pois é no ato de ceder que se encontra a verdadeira força.
Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de significados. Vedes não apenas os estilhaços que o orgulho gerou, mas as mãos que ainda podem se encontrar. Cada fissura é agora uma lembrança de que, mesmo na dor, há sempre a possibilidade de cura.
Nos estilhaços do orgulho, encontrais não apenas as feridas, mas a coragem de estender as mãos novamente e de transformar a dor em um novo começo.
(Betto Gasparetto – iv/xx)
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