14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (02/14)

(Betto Gasparetto)

Átrio 2 – Traição à Ética

by Dall-E 3

I
Ah, quão vil é a traição da ética,
Que, com mãos manchadas de sangue imundo,
Se esconde sob o manto da virtude,
Usurpando o que jamais lhe pertenceu.
Quem ousa chamar de honesto o que é podre,
E de virtuoso o que, no fundo, não passa
De um espelho rachado que reflete mentiras,
Tão belas e sedutoras quanto o mais puro engano?
II
A ética, nobre dama, foi abandonada
Por aqueles que, sem vergonha, em suas práticas,
Trocam a verdade por um obtido de moedas,
E a justiça por um simples jogo de poder.
Que mais bela é a máscara da moralidade,
Quando, por trás dela, os corações se corrompem,
E a alma se vende como mercadorias baratas
Nos mercados sujos da política e do desejo.
III
(…)
IV
O que é ética senão uma promessa quebrada,
Quando o homem, seduzido pela tentativa,
Troca o certo pelo conveniente, o justo pelo fácil,
E a honra pela satisfação efêmera do momento?
A ética morre no instante em que se dobra
Diante das critérios do poder e do luxo,
E quem a corrompe com um sorriso hipócrita
Faz da mentira uma segunda natureza.
V
Ah, o que é mais fácil: ser íntegro,
Ou trair os próprios princípios por um pedaço de glória?
A ética é a chama que arde silenciosa,
Mas quem tem coragem de mantê-la acesa
Quando as ventanias da ambição a apagaram?
Como é doce o sabor do poder nas mãos de quem não o merece,
E como amarga é a consciência de quem,
Tendo perdido sua honra, jamais encontrará o caminho de volta.
VI
A ética, ah, que ridícula se torna quando trocada
Por favores sujos e promessas vazias,
E o homem, ao vender sua alma, jamais compreende
Que, ao traí-la, ele apagou o próprio ser.
E, quando o último vestígio da verdade se esvai,
Nada mais resta do homem, senão um esqueleto vazio,
E o peso de uma mentira que nunca poderá ser desfeita.
VII
Pois, no final, o traidor da ética
Não encontrará mais no mundo o que procura,
E será condenado a viver, eternamente,
Com o vazio que deixou em sua alma.
Ah, como é frágil a ética,
E como são frágeis aqueles que a abandonaram
Em nome daquilo que nunca foi verdadeiro!

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

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