14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (06/14)

(Betto Gasparetto)

Átrio 6 – Geração de Ostentações

By Dall-E 3

I
Ah, que geração é esta, onde a dor é uma herança,
Onde os filhos nascem não da luz, mas da escuridão!
Vós, filhos do aço e do sangue derramado,
Que nascem com as mãos manchadas de culpa,
E os olhos cegos pela indiferença,
Não só são senão os algozes de sua própria linhagem.
Onde estão os heróis, aqueles que, com coragem,
Erguem a cabeça contra a tirania e a injustiça?
Agora, em seu lugar, vós sois os carrascos,
Derramando o veneno da ignorância e do ódio,
E com suas mãos imundas, calcais os sonhos
Que, outrara, poderia ter sido grande.
II
O que foi que fizestes de vosso espírito,
De vossas almas que, por sua vez, deveriam ser puras?
Ah, vós sois criaturas forjadas no fogo da dor,
Mas não em busca de redenção,
Mas em busca de destruição.
Seus passos não são ecos de sabedoria,
mas os passos pesados ​​de quem já sabe que não há salvação.
Vós sois os algozes de vossos próprios pais,
E, sem saber, já estais condenados a carregar
O peso de um fardo que vós mesmos criastes.
III
(…)
IV
(…)
V
Não é por força que se impõe a justiça,
mas por coração, por entendimento profundo.
Mas onde está o coração? Onde está a compaixão?
Ah, não, vós sois apenas sombras,
Almas vazias que se alimentam do sofrimento,
E vossos olhos, ao invés de verem a luz,
Apenas refletem o ódio que vós mesmos semeais.
Onde, então, a espera pode florescer
Se o solo é escasso de verdade e entendimento?
VI
Você é uma geração que se regozija na destruição,
Seus nomes serão lembrados não pela grandeza,
Mas pela dor que deixou para trás de si.
Vós que fazemeis da mentira a vossa espada
E da indiferença o vosso escudo,
Sois os algozes de uma geração perdida,
E, ao fim, não há reino, nem coroa,
Somente o vazio de um mundo que foi dado em sacrifício
Pelas mãos de quem nunca soube o valor do perdão.
VII
O que vós semeiais, oh geração,
É uma colheita amarga de desespero,
E, quando o sol da verdade brilha sobre vós,
Ver-se-á que nada resta, senão escombros,
Pois vós não criastes, mas destruístes,
E ao vosso redor o silêncio ecoará
De um mundo que, por sua causa, se desintegrou.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

Deixe um comentário