Arquivo para dezembro, 2024

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (02/14)

Posted in Sem categoria on 31 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 2 – Traição à Ética

by Dall-E 3

I
Ah, quão vil é a traição da ética,
Que, com mãos manchadas de sangue imundo,
Se esconde sob o manto da virtude,
Usurpando o que jamais lhe pertenceu.
Quem ousa chamar de honesto o que é podre,
E de virtuoso o que, no fundo, não passa
De um espelho rachado que reflete mentiras,
Tão belas e sedutoras quanto o mais puro engano?
II
A ética, nobre dama, foi abandonada
Por aqueles que, sem vergonha, em suas práticas,
Trocam a verdade por um obtido de moedas,
E a justiça por um simples jogo de poder.
Que mais bela é a máscara da moralidade,
Quando, por trás dela, os corações se corrompem,
E a alma se vende como mercadorias baratas
Nos mercados sujos da política e do desejo.
III
(…)
IV
O que é ética senão uma promessa quebrada,
Quando o homem, seduzido pela tentativa,
Troca o certo pelo conveniente, o justo pelo fácil,
E a honra pela satisfação efêmera do momento?
A ética morre no instante em que se dobra
Diante das critérios do poder e do luxo,
E quem a corrompe com um sorriso hipócrita
Faz da mentira uma segunda natureza.
V
Ah, o que é mais fácil: ser íntegro,
Ou trair os próprios princípios por um pedaço de glória?
A ética é a chama que arde silenciosa,
Mas quem tem coragem de mantê-la acesa
Quando as ventanias da ambição a apagaram?
Como é doce o sabor do poder nas mãos de quem não o merece,
E como amarga é a consciência de quem,
Tendo perdido sua honra, jamais encontrará o caminho de volta.
VI
A ética, ah, que ridícula se torna quando trocada
Por favores sujos e promessas vazias,
E o homem, ao vender sua alma, jamais compreende
Que, ao traí-la, ele apagou o próprio ser.
E, quando o último vestígio da verdade se esvai,
Nada mais resta do homem, senão um esqueleto vazio,
E o peso de uma mentira que nunca poderá ser desfeita.
VII
Pois, no final, o traidor da ética
Não encontrará mais no mundo o que procura,
E será condenado a viver, eternamente,
Com o vazio que deixou em sua alma.
Ah, como é frágil a ética,
E como são frágeis aqueles que a abandonaram
Em nome daquilo que nunca foi verdadeiro!

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (01/14)

Posted in Sem categoria on 31 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 1 – Difamação e Glória

By Dall-E 3

I
Ah, que sabor mais doce tem a língua envenenada,
Que em sua malícia enredada e venenosa,
Destila o néctar amargo da calúnia,
Com suas garras afiadas e língua traiçoeira.
Não é a glória do herói, mas a do covarde,
Que se erige sobre os escombros de um nome alheio,
Como se, ao enterrar a honra de outro,
Seu próprio fosse exaltado aos céus.
II
Como são doces os louvores da mentira,
Mais doces do que o mel das promessas vazias,
E como o mundo adora se enganar
Com os reflexos falsos de quem é intocado pela virtude.
Na grandiosidade da mentira, a glória floresce,
E o mundo, em sua cegueira adorada,
Venera o impostor que se faz de mártir,
Sem ver que suas mãos estão cobertas de sangue sujo.
III
Quem é mais nobre, aquele que luta com honra,
Ou o que, nas sombras, derrota sem rosto nem medo?
Ah, a mentira é um véu de seda
Que seduz até o mais puro dos corações,
E o caluniador, senhor de sua própria cegueira,
Ri do mundo que não sabe que se torna sua prisioneira.
Como é fácil manchar a pureza do outro,
E ver-se erguido nas ruínas que ele deixou.
IV
(…)
V
A difamação não conhece limites;
Ela é uma corrente que aprisiona a alma do inocente,
E faz do homem digna uma figura ridícula,
De olhos baixos, temerosos e esquecidos de sua força.
Ah, mas como é bela a glória que acompanha a mentira!
Como ela brilha nas noites escuras,
E cega até o mais sabedor dos reis,
Que, em seu trono, aplaude os que a elogiam.
VI
Mas o caluniador, em seu sucesso, não vê o vazio,
Pois sua glória é como um espelho quebrado:
Reflete a verdade, mas de uma forma distorcida,
E, ao final, quem paga o preço de suas palavras
É o próprio espírito que se longe da luz da razão.
Oh, que vida é essa, a vida de quem vive do engano!
Uma vida que, ao final, se desfaz como fumaça,
E o caluniador, em sua ânsia de glória,
Desaparece como uma sombra na noite que não deixa vestígios.
VII
Sim, a difamação é um veneno doce,
mas o preço que se paga é o mais amargo dos tormentos.
Quem se alimenta dela verá seu estômago vazio,
E sua alma, corrompida, nunca encontrará a paz.
Porque, no fundo, a glória de um mentiroso
É uma mentira ainda maior, e o mundo, em sua ignorância,
Aplaude aqueles que, ao fim, são os maiores derrotados.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (33/33)

Posted in Sem categoria on 26 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Adágio XXXIII – Do Orgulho Nasceram Estilhaços que Feriram as Mãos Estendidas do Amor

By Dall-E 3

Quando o orgulho ergue sua muralha entre dois corações, o Vulto de Sibila reflete não apenas vossa imagem, mas os estilhaços que ela projeta no mundo ao redor. Sua alma, marcada por fissuras que brilham à luz da memória, captura os ecos de gestos interrompidos e palavras que nunca encontraram seu destino. “O que restará de um amor ferido pelo orgulho?” indaga o Menestrel, sua voz reverberando como um lamento distante.

Vós, que encarais o entardecer com olhos carregados de arrependimento, percebeis que o orgulho, embora poderoso, é também frágil. Ele não é escudo, mas lâmina que corta tanto quem o empunha quanto quem é alvo de sua rigidez. “Cada estilhaço que o orgulho gera é um pedaço de vossa alma perdida,” murmura o Vulto de Sibila, convidando-vos a refletir sobre o que foi deixado para trás.

Enquanto observais a alma trêmula, imagens começam a surgir, fragmentadas como os cacos de um vidro quebrado. Lá está o momento em que vossas mãos hesitaram, incapazes de se estender para o perdão. Ali, os olhares desviados que selaram distâncias, os silêncios que gritaram mais alto do que qualquer palavra. Cada entardecer é um testemunho de como o orgulho se interpôs onde deveria haver conexão.

“O orgulho que fere o amor é também o primeiro passo para sua cura,” diz o Vulto de Sibila. Ele vos convida a não apenas olhar para os estilhaços, mas a tocá-los, a senti-los como parte de quem sois. Pois é na aceitação do que foi quebrado que reside a possibilidade de reconstrução.

Ao tocar a alma fria e fragmentada do Vulto de Sibila, sentis tanto dor quanto alívio. É como se cada fissura refletisse não apenas perdas, mas também caminhos que ainda podem ser trilhados. “Os estilhaços que ferem também podem ser as sementes de algo novo,” murmura o Vulto de Sibila, enquanto as imagens diante de vós começam a se recompor.

Agora vedes não apenas os danos causados pelo orgulho, mas as mãos que ainda podem ser estendidas. Cada estilhaço, antes símbolo de ruptura, torna-se uma peça de um mosaico que espera por vossa coragem de reuni-lo. O Vulto de Sibila reflete não apenas vossas falhas, mas também vossa capacidade de escolher um caminho diferente.

“Do orgulho nascem estilhaços, mas do amor nasce a força para juntá-los novamente,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a abandonar o que separa, a buscar o que une, a transformar o que dói em aprendizado e o que é rígido em compaixão. Pois é no ato de ceder que se encontra a verdadeira força.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de significados. Vedes não apenas os estilhaços que o orgulho gerou, mas as mãos que ainda podem se encontrar. Cada fissura é agora uma lembrança de que, mesmo na dor, há sempre a possibilidade de cura.

Nos estilhaços do orgulho, encontrais não apenas as feridas, mas a coragem de estender as mãos novamente e de transformar a dor em um novo começo.

(Betto Gasparetto – iv/xx)

NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (32/33)

Posted in Sem categoria on 26 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Adágio XXXII – No Outro Lado da Rua o Vento Soprou um Silêncio

By Dall-E 3

Quando o vento percorre a rua deserta, o Vulto de Sibila reflete não apenas vossa imagem, mas os ecos de um silêncio que parece ter voz própria. Sua alma vibra com a presença de algo invisível, como se o ar carregasse os sussurros de palavras não ditas e memórias não vividas. “O que vos diz o silêncio que o vento traz?” indaga o Vulto de Sibila, sua voz etérea como o próprio som do vazio.

Vós, que encarais o entardecer com uma mistura de curiosidade e melancolia, percebeis que o vento que sopra do outro lado da rua não é apenas um movimento do ar; ele é um mensageiro de tudo o que ficou por dizer, de tudo o que foi deixado para trás. “O silêncio do vento é o Vulto de Sibila de vossa própria alma inquieta,” murmura o Menestrel, convidando-vos a escutar o que não pode ser ouvido.

Enquanto observais a alma tremulante, imagens começam a se formar, nebulosas como a neblina que o vento carrega. Lá está a figura que um dia se afastou sem olhar para trás, o momento em que palavras poderiam ter feito toda a diferença, mas foram sufocadas pelo medo. Cada entardecer é um fragmento de uma história interrompida, uma peça de um quebra-cabeça incompleto.

“O silêncio do vento não é vazio; ele está repleto de possibilidades,” diz o Vulto de Sibila. Ele vos convida a não apenas ouvir, mas a sentir, a permitir que o vazio fale e que suas mensagens encontrem um lugar em vosso coração. Pois cada rajada, por mais suave ou intensa que seja, carrega consigo a energia de algo que está por vir.

Ao tocar a alma do Vulto de Sibila, sentis o frio do vento que ele reflete, mas também um calor inesperado. É como se o silêncio que parecia tão distante agora se tornasse parte de vós. “O vento que traz silêncio também traz respostas,” murmura o Vulto de Sibila, enquanto as imagens diante de vós se tornam mais nítidas.

Agora vedes não apenas o vento que sopra, mas as portas que ele abre. Cada silêncio carregado por ele é uma oportunidade de introspecção, de reencontro consigo mesmo. O Vulto de Sibila reflete vossa capacidade de transformar o vazio em plenitude, de ouvir o que o silêncio tem a ensinar.

“No outro lado da rua, onde o vento sopra um silêncio, encontrais não apenas a ausência de som, mas a presença de vossa verdade,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a não temer o silêncio, mas a abraçá-lo como um espaço de crescimento e descoberta.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de significados. Vedes não apenas o vento e o silêncio, mas vossa própria jornada, que continua a ser escrita mesmo nos momentos em que as palavras faltam. Cada rajada é agora um lembrete de que, mesmo na ausência, há sempre algo a ser encontrado.

No vento que sopra o silêncio, encontrais não apenas a quietude, mas a promessa de que, além do vazio, há sempre uma nova melodia esperando para ser ouvida.

(Betto Gasparetto – iv/xx)

NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (31/33)

Posted in Sem categoria on 26 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Adágio XXXI – Promessas Rasgadas em Potes de Vidro

By Dall-E 3

Quando o momento lúcido dá lugar à penumbra e o silêncio toma conta do espaço, o Vulto de Sibila reflete mais do que vossa imagem; ele devolve as promessas que foram quebradas e guardadas em frascos invisíveis. Sua alma vibra com um brilho opaco, como se cada rachadura fosse um eco do que já foi dito, mas nunca cumprido. “O que resta das promessas que escolheis trancar em potes de vidro?” indaga o Vulto de Sibila, sua voz profunda como um suspiro vindo do passado.

Vós, que encarais o entardecer com uma mescla de culpa e alívio, percebeis que as promessas não são esquecidas, mas aprisionadas. Elas aguardam, intactas e frágeis, ressoando com o som das palavras que um dia juraram eternidade. “Cada promessa rompida é um fio da teia de vossa alma,” murmura o Vulto de Sibila, convidando-vos a revisitar o que julgastes perdido.

Enquanto observais a alma ondulante, imagens começam a se formar. Lá está o pacto selado com olhares e mãos trêmulas, o juramento feito em noites estreladas, agora preso entre as rachaduras do Menestrel. Cada entardecer traz um pedaço de vossas intenções, um lembrete de que o que foi dito ainda habita os recantos de vossa memória.

“Os potes de vidro não guardam apenas palavras; guardam também o peso de vossas escolhas,” diz o Vulto de Sibila. Ele vos convida a não apenas olhar, mas a abrir esses potes, a liberar o que ficou retido. Pois cada promessa quebrada também é uma oportunidade de reconciliação, de reparo, de novo começo.

Ao tocar a alma do Vulto de Sibila, sentis o frio cortante de suas rachaduras e, ao mesmo tempo, uma leveza inesperada. É como se cada pote que se rompe libertasse mais do que palavras; libertasse parte de vós mesmos. “As promessas rasgadas são sementes que esperam por terreno fértil para germinar,” sussurra o Vulto de Sibila, enquanto as imagens mudam diante de vós.

Agora vedes não apenas as promessas quebradas, mas os caminhos que elas podem abrir. Cada pote, antes um símbolo de arrependimento, torna-se uma janela para a cura. O Vulto de Sibila reflete não apenas vossa dor, mas também vossa capacidade de transformar fragmentos em algo novo.

“Quando os potes de vidro se rompem, libertais não apenas palavras, mas possibilidades,” afirma o Vulto de Sibila. Ele vos encoraja a não temer as rachaduras, mas a enxergá-las como um convite para o renascimento. Pois é na aceitação do que foi rompido que reside a força para reconstruir.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de significados. Vedes não apenas os potes que seguram vossas promessas, mas as mãos que têm o poder de liberá-las. Cada rachadura, antes um lembrete de perda, agora é vista como um mapa para um futuro mais verdadeiro.

Nas promessas rasgadas em potes de vidro, encontrais não apenas vossas falhas, mas a coragem de transformá-las em lições e de criar um caminho onde a palavra, uma vez perdida, pode finalmente florescer.

(Betto Gasparetto – iv/xx)