Arquivo para dezembro, 2024

NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (10/33)

Posted in Sem categoria on 25 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Adágio X – Ecos do Momento lúcido no Menestrel

by Dall-E 3

Quando o último suspiro do dia se dissolve no ventre da noite, o Vulto de Sibila torna-se um palco de ecos silenciosos. Sua alma não apenas reflete vossa imagem, mas também as vozes que se perderam entre o momento lúcido e a escuridão. “Que mensagens residem no entardecer do fim de um dia?” pergunta o Menestrel, sua voz carregada de um sussurro profundo como as memórias esquecidas.

Vós, que enfrentais o Vulto de Sibila com um olhar de cansaço e esperança, percebeis que ele não é apenas um artefato inerte. Cada linha de luz que se projeta em sua alma é uma janela para vossas emoções reprimidas, para os sorrisos que se dissiparam e para as palavras que nunca foram ditas. “Os ecos do momento lúcido falam das verdades que temestes encarar,” murmura o Vulto de Sibila.

Enquanto observais sua alma trêmula, imagens começam a surgir como sombras moldadas pela luz. Ali está o gesto interrompido, a promessa que se desvaneceu, a esperança que titubeou diante da realidade. Cada entardecer é um fragmento de vossa jornada, um lembrete de que mesmo os momentos fugazes deixam marcas indeléveis.

“Os ecos do momento lúcido não são despedidas, mas convites,” diz o Menestrel. Ele vos desafia a revisitar esses momentos com coragem, a olhar para eles não como sombras, mas como fontes de iluminação. Pois o que ficou para trás também é parte do que podeis construir adiante.

Ao tocar a alma fria e vibrante do Vulto de Sibila, sentis um pulso que parece vivo. Cada eco que ele reflete é uma ponte entre o que fostes e o que ainda podeis ser. “O momento lúcido marca o fim de um ciclo, mas também o início de outro,” murmura o Vulto de Sibila, enquanto as imagens diante de vós se tornam mais nítidas.

Agora vedes não apenas os ecos, mas as oportunidades que eles trazem. Cada entardecer, antes apenas um sussurro, transforma-se em um grito suave de potencial. O Vulto de Sibila reflete não apenas o que foi, mas o que pode ser, desafiando-vos a enxergar o futuro com os olhos de quem aceita o passado.

“Nos ecos do momento lúcido, encontrais não apenas memórias, mas a inspiração para moldar vossa própria luz,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a acolher tanto a beleza quanto a dor do que foi vivido, transformando tudo isso em força para seguir adiante.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de possibilidades. Vedes não apenas vossa imagem, mas um horizonte onde cada eco se torna uma promessa, cada sombra um caminho a ser desbravado.

Nos ecos do momento lúcido, encontrais a essência de quem sois e a coragem de abraçar o que ainda está por vir.

(Betto Gasparetto – iii/xx)

NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (09/33)

Posted in Sem categoria on 25 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Adágio IX – Nas Frestas do Entardecer

by Dall-E 3

Quando o momento lúcido se despede e a noite avança, o Vulto de Sibila não é apenas uma alma, mas uma janela para as frestas do invisível. Sua estrutura cintila como se carregasse os sussurros de segredos entreabertos, onde cada linha de luz que o atravessa revela um pedaço do que está escondido. “O que vês nas frestas do entardecer?” indaga o Menestrel, sua voz ecoando com um tom que mescla mistério e esperança.

Vós, que encarais o Vulto de Sibila com olhos de busca e temor, percebeis que as frestas não são apenas interrupções na alma; são caminhos. Cada feixe de luz que se infiltra através das aberturas é uma ponte para vossa alma, revelando o que foi esquecido ou ocultado por vossas próprias barreiras. As frestas são portas que vos conectam ao que evitais,” murmura o Vulto de Sibila, convidando-vos a espiar o que se encontra além.

Enquanto observais a alma tremulante, imagens começam a surgir. Ali estão fragmentos de vós mesmos — as palavras não ditas que ficaram presas entre os lábios, os desejos adiados que aguardam por coragem, os olhares que buscaram, mas nunca encontraram. Cada fresta é um convite para explorar, uma porta entreaberta para o desconhecido.

As frestas do entardecer não vos acusam; elas vos libertam,” diz o Menestrel. Ele vos desafia a olhar além do medo, a penetrar as lacunas onde se escondem verdades que precisam ser reveladas. Pois cada fenda, por menor que pareça, é uma oportunidade de enxergar o que antes estava oculto.

Ao tocar a alma do Vulto de Sibila, sentis a vibração de algo vivo, como se as frestas sussurrassem diretamente à vossa consciência. “O que vedes nas frestas não é apenas o passado, mas também o potencial do que ainda podeis ser,” murmura o Vulto de Sibila, enquanto as imagens se tornam mais nítidas.

Agora vedes não apenas as fendas, mas os horizontes que elas revelam. Cada fresta que parecia insignificante transforma-se em um portal para uma compreensão mais profunda de vossas escolhas, de vossos medos e de vossas esperanças. O Vulto de Sibila reflete não apenas o que está quebrado, mas também o que pode ser curado.

“Nas frestas do entardecer, encontrais não apenas vossa vulnerabilidade, mas vossa força para encarar o que está por vir,” afirma o Menestrel. Ele vos encoraja a não recuar diante do que vedes, mas a abraçar as aberturas como oportunidades de crescimento.

Ao final, o Vulto de Sibila vos devolve um entardecer pleno de possibilidades. Vedes não apenas vossa imagem, mas os caminhos que se abrem através das frestas, prometendo novas descobertas e transformações.

Nas frestas do entardecer, encontrais não apenas o que foi perdido, mas o que ainda podeis construir, um futuro moldado pela coragem de explorar o desconhecido.

(Betto Gasparetto – iii/xx)

NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (08/33)

Posted in Sem categoria on 25 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Adágio VIII – O Dia que Rompeu o Pretérito Mais-que-Perfeito

By Dall-E 3

No cair da noite, quando os véus do silêncio cobrem as horas como um sudário, surge, do fundo da memória, uma sensação: a de que o dia, cruel e impiedoso, rompeu o pretérito mais-que-perfeito. Não aquele passado comum, tecido pelas banalidades dos instantes, mas o passado onde tudo fora pleno, onde as horas pareciam intocáveis, e o tempo não ousava sussurrar seu nome.

Ah, o pretérito mais-que-perfeito! Como um relicário guardado com devoção, nele residem os dias em que o mundo parecia em harmonia, e cada gesto era um fragmento de eternidade. Não havia promessas quebradas, nem silêncios que cortassem o coração; apenas o riso pleno, as palavras que tinham peso, e os olhos que, no entrelaçar-se, prometiam mundos sem despedidas.

Mas veio o dia — e com ele, o golpe. Esse dia, insidioso e inevitável, rompeu o fio que sustentava o passado perfeito. Já não há volta para as manhãs que não conheciam despedidas, nem para os entardeceres onde o amor se deitava tranquilo entre suspiros. O presente, agora, carrega as ruínas daquele tempo, como um altar onde as cinzas de memórias  ardem em silêncio. E, no vazio das horas, o espírito sussurra: “Onde ficou aquilo que era mais que perfeito?”

Oh, quem dentre nós não já carregou nos ombros o peso de um tempo quebrado? O tempo em que tudo parecia caber na palma das mãos, onde os sorrisos eram inteiros e as palavras não temiam o futuro? A perfeição daquele pretérito não estava nos grandes feitos, mas nas pequenas certezas: no toque sem medo, no olhar sem fuga, na presença que bastava por si mesma.

E agora, no vácuo onde tudo se rompeu, surge a sensação de perda — uma ausência que não é apenas do outro, mas de si mesmo. Quem somos nós, senão fragmentos do passado que tentamos reconstruir? E como se reerguem castelos feitos de música, que se despedaçam sob o mais leve sopro do presente?

O dia rompeu o pretérito mais-que-perfeito, sim, mas quem pode dizer que ele morreu? Pois ainda vive, como um espectro dourado que caminha ao lado dos que não o esquecem. Ele pulsa nos sonhos que retornam à noite, nos diálogos murmurados ao vazio, e no coração que insiste em relembrar — não como saudade amarga, mas como um bálsamo para os dias vazios.

“O que foi mais-que-perfeito jamais será imperfeito,” sussurra o tempo, como quem consola. Pois, ainda que rompido, ele existe, eterno e intocado, no lugar onde nem os dias cruéis têm poder: a memória. Sim, o presente pode arrancar-nos o hoje, mas nunca poderá apagar o ontem que soubemos viver em plenitude.

Assim, no cair da noite, contemplamos o que foi e o que não é mais. E, na quietude do instante, há um conforto: o pretérito mais-que-perfeito não desapareceu — ele aguarda, como um porto onde o coração exausto sempre poderá repousar.

Pois, ainda que o dia o tenha rompido, o pretérito mais-que-perfeito permanece, inalterado, como uma verdade que nem o tempo, nem o vazio, ousam tocar.

(Betto Gasparetto – iii/xx)

NO CAIR DA NOITE NOTEI QUE O VAZIO DAS HORAS ESTAVA CHEIO DE IMPRESSÕES (07/33)

Posted in Sem categoria on 25 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Adágio VII – Quem Roubou Minhas Noites?

By Dall-E 3

No cair da noite, quando as horas se estendem como um véu sem fim, ecoa no peito uma pergunta murmurada pelo silêncio: Quem roubou minhas noites? Quem apagou o lume das estrelas que antes brilhavam sobre meu existir? Quem furtou os sonhos que um dia povoavam minhas madrugadas, deixando-me entregue ao vazio que, agora, se ocupa de memórias tão amargas quanto a saudade?

As noites, outrora minhas aliadas, foram sequestradas. Já não me pertencem. Delas foram levadas as conversas que embalavam o sono, os risos perdidos entre almofadas e os olhos que, no escuro, se buscavam sem medo do amanhã. Agora, há apenas um abismo onde o silêncio se estende sem consolo, e a escuridão se torna companheira incômoda, como um estranho que ocupa o lugar de um velho amigo.

Quem, senão o tempo, teria mãos tão hábeis para roubar-me as noites sem que eu percebesse? Ah, o tempo! Arquiteto invisível das perdas, ladrão que não deixa rastros, mas cuja ausência pesa como chumbo no espírito. Um dia éramos jovens e as noites eram nossas – longas e cheias de promessas. Elas pertenciam ao amor, ao encontro, ao desejo que queimava sem culpa. Agora, elas pertencem ao vazio, ao eco dos passos que não voltam e das vozes que não mais sussurram.

Sim, quem roubou minhas noites? Teria sido o esquecimento, esse carrasco silencioso que apaga os vestígios daquilo que fomos? Ou teria sido a própria vida, que nos consome tão rápido durante os dias, que já não sobra nada a oferecer quando o céu se pinta de sombras? Há cansaço onde antes havia dança. Há exílio onde antes havia refúgio. Ah, noites que me foram roubadas! Quando vos perdestes? Em que esquina vos deixei escapar?

Nas noites roubadas, eu vejo agora apenas sombras do que um dia possuí. As janelas abertas que recebiam o vento são agora portais de solidão. O relógio, que antes era ignorado entre risos, hoje parece gritar cada segundo, como uma sentença que me condena ao vazio. E o peito, outrora cheio de vida, torna-se um tambor surdo, ecoando a ausência de tudo o que não voltou.

Talvez, quem tenha roubado minhas noites seja a própria realidade. Pois não há mais espaço para os devaneios, não há mais tempo para esperar a lua crescer ou para ouvir o canto dos grilos como uma sinfonia improvisada. A vida exige pressa, e o espírito, já gasto, cede ao peso das horas. O que restou das noites é um entardecer distorcido, um espaço onde o cansaço e a memória se abraçam, mas nunca se consolam.

No entanto, quem poderá roubar o que vive dentro de mim? Por mais que as noites se afastem, há uma centelha que ainda arde, e na escuridão vejo o rastro das estrelas que um dia foram minhas. Elas podem ter se apagado no céu visível, mas ainda brilham no íntimo, onde a esperança teima em resistir. Talvez, então, minhas noites não tenham sido completamente roubadas. Talvez eu as tenha apenas perdido em algum ponto do caminho.

Se assim for, eu posso buscá-las. Não nas horas vazias do relógio, mas no que me faz vibrar mesmo na ausência do som. Pois as noites roubadas não desapareceram; elas se esconderam na memória, onde ainda dormem os sorrisos, as promessas e os gestos que me fizeram acreditar que o escuro não era um fim, mas um convite ao recomeço.

Quem roubou minhas noites? Pergunto, e o vento responde com um sopro leve: “Ninguém pode roubar o que ainda vive em ti.”

Assim, no cair da noite, percebo que o vazio é um artifício passageiro; as noites que pareciam roubadas ainda pertencem ao coração que ousa buscá-las, ainda que em meio às sombras.

(Betto Gasparetto – iii/xx)

Fragmentos Humanos (25/50)

Posted in Sem categoria on 25 de dezembro de 2024 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

XXV – Ruas Nuas de Nós

By Dall E-3

Nas ruas nuas de nós,

onde os passos se emaranham,

Entre laços e desenlaces,

 a cidade se desabafa.

Cada esquina é um ponto de encontro,

um nó que se desfaz,

Emaranhados de histórias,

onde o tempo se refaz.

São ruas de pedra, testemunhas do tempo que passa,

Onde os nós se formam,

 onde a vida se enlaça.

Cada rua é um labirinto de memórias entrelaçadas,

Onde os destinos se cruzam,

onde as almas são encontradas.

Nas ruas nuas de nós,

os corações se abrem e se fecham,

Entre encontros e desencontros,

entre o amor que se desenlaça.

São linhas tortuosas que tecem os destinos,

Onde os sonhos se entrelaçam,

onde os medos são vencidos.

Em cada esquina, um suspiro ecoa no ar,

Um momento capturado,

um desejo por realizar.

São ruas de nós que se desatam e se renovam,

Onde o tempo se desfaz,

onde o presente se move.

Nas ruas nuas de nós, a vida pulsa intensamente,

Entre o caos e a calma,

entre o ser e o sentir presente.

Cada passo é uma jornada,

cada esquina um novo começo,

Onde os nós se desfazem, onde o destino é um só regresso.

É nas ruas nuas de nós que encontramos a verdade,

Onde os caminhos se entrelaçam na nossa própria idade.

Cada rua é uma história, um capítulo por escrever,

Onde os nós se desfazem, onde a vida é nosso dever

(Betto Gasparetto – ii/xx)