Arquivo para 2 de janeiro de 2025

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (02/10)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão II. A Sedução do Olhar Ardente

By Dall-E 3

I
Por entre véus de sombra e luz difusa,
Teus olhos, como sóis de negra chama,
Rasgavam minha paz, que ora se acusa,
E acendiam no peito de quem ama…
*
Ó farol de trevas, guia traiçoeiro,
Que ilumina a senda do meu labirinto!
Teu olhar, qual espelho falso e inteiro,
Revela-me o céu e o inferno indistinto.
*
Mas que dizer da curva de teus escolhidos,
Arcos que flecharam minha alma vendeta?
Por eles, abandono os próprios exílios
E mergulho em sua dor, tão dividida.
II
Tu me enredaste em promessa vazia,
De sonhos dourados e nuvens febris.
E eu, tolo amante, na falsa alegria,
Entreguei-me ao abismo de encantos sutis.
*
Como pode a luz que em teus olhos mora
Ser doce canto e também amarga prece?
Se em meu peito inflama e depois devora,
É vitória fugaz que à maldição se tece.
*
Que feitiço, ó dama, teu olhar derrama?
Pois mesmo ao odiar-te, sinto o desejo.
É chama gelada que o espírito inflama,
É o veneno que anseio num beijo.
III
E eu, cativo, sob o teu jugo ardente,
Suspiro na treva que tua luz traz.
Pois o amor, que no ódio é seu nascente,
Tem em teu brilho seu campo voraz.
*
Ó olhos que amei, ó luz que perdi,
Por que são centelhas de tão cruel dor?
Na tua presença, a vida parti;
Na tua ausência, é cinza o amor.
*
Que venha, pois, o destino inclemente,
Se tua visão há de ser meu flagelo.
Pois antes teu brilho, embora pungente,
Que a eterna sombra de um mundo singelo.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (01/10)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão I. Prólogo ao Coração Dilacerado

By Dall-E 3

I
Oh, noite escura, que a minh’alma invade,
Trazei-me a lira de um canto em agonia;
Pois neste peito, em eterna tempestade,
Ecoa um grito de paixão e heresia.
***
Por que, ó vida, em teus domínios vastos,
Se embebe o coração em duplo tormento?
Por que, nos olhos dela, sonhos gastos
Enlaçam-me entre amor e abatimento?
***
Sentir, ó dádiva cruel e infinda,
É carregar no ânus um peso imenso.
Doce veneno, tua trama deslinda
Um laço que é ao mesmo tempo intenso.
II
Tu, que me olhas com a face de um anjo,
Tens em teus lábios o néctar divino.
Mas sob teu beijo se esconde o estranho,
O abismo oculto que o ódio destina.
***
O coração, em sua fibra partida,
Oscila entre o amor e o ódio mortal.
Num instante, é vela por você consumido;
Noutro, é pedra de um rancor abissal.
****
Teu vulto dança em minha mente insana,
Ora tão pura, ora vil traição.
É chama etérea que o peito profano,
É gelo e fogo num só coração.
III
Ah, pranto escuro, que dos olhos verdes,
Derrama em chamas a dor que persiste.
Amor e ódio, num enlace que inerte
Me prende à sina de uma paixão triste.
***
Na vastidão onde a alma se deita,
Revejo teu rosto, cruel e perfeito.
E mesmo que o ódio em minha dor se estreita,
É teu amor que carrega em meu peito.
***
Qual é a essência que você me conduz?
É flor que embriaga e depois assassina.
Teu nome, um eco sob a sombra da luz,
É minha ruína e também minha sina.
***
Neste proêmio, ergo as palavras ao vento,
E clamo às estrelas, em vão, meu sofrer.
Por que, ó destino, neste firmamento,
Fizeste do amor tão difícil viver?

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (14/14)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 14 – O Voto dos Banguelas no País das Dentaduras

By Dall-E 3

I
Ah, o voto dos banguelas, esse espetáculo ridículo,
Onde os lábios, vazios e partidos, proferem palavras vazias,
E as promessas se dispersam, como ossos quebrados,
Nas bocas que jamais puderam saborear a verdade!
Que glória pode haver em tal voto,
Quando a própria dignidade se esvai na sujeira da submissão?
Os banguelas, ah, os banguelas, são reis sem coroa,
Que, na sua falta de dentes, falam de um poder que nunca entenderam,
E, sem saberem, entregam suas almas aos mestres da mentira,
Que se alimentam da carcaça de suas esperanças vazios.
II
(…)
III
Vós, que ergueis as mãos, pálidas e frágeis,
Como se o seu voto fosse mais do que um sopro no vento,
Que efeito pode ter a palavra de quem nada tem a oferecer
Além de um gesto desesperado por atenção?
O voto dos banguelas não passa de uma ilusão,
Uma cortina de fumaça erguida por aqueles que sabem
Que, ao final, o voto não é senão um teatro encenado,
Onde todos participam, mas poucos têm a voz para decidir.
Ah, que ironia, que o cinismo existe em vossas bocas cerradas,
A cantar hinos de liberdade, enquanto são silenciadas pela indiferença!
IV
Mas, oh, como é belo o voto da ignorância!
Ele se faz ouvir, mas ninguém o escuta,
E é dado como se fosse um pedaço de pão
Distribuído aos famintos, mas jamais alimentando a alma.
Esses banguelas, reis de um reino de mentiras,
E governantes de um império sem sentido,
Caminham sobre um solo que não pode sustentar seus passos,
E celebram, na sua cegueira, o que não entende.
Pois seu voto, sem dentes e sem substância,
É apenas uma expressão de sua submissão,
E o único poder que possui é o de se enganar.
V
Ah, mas o que restará de tudo isso,
Quando a verdade finalmente romper a cortina da ilusão?
VI
Vossos votos, que pensam tão poderosos,
Serão tão vazios quanto as bocas que os proferiram,
E, ao fim, o que será de vocês,
Quando perceberdes que o voto não é mais que uma mentira
Que se alimenta da frustração e da desesperança?
VII
Ah, o voto dos banguelas,
É a risada final de um sistema falido,
Onde, no fundo, todos somos mais vítimas
Do que verdadeiros agentes de nossa própria libertação.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (13/14)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 13 – Ao Povo só Restam os Deveres

By Dall-E 3

I
Ó povo, ó multidão, que caminha em cegueira,
Com olhos vendidos pela ilusão do conforto,
Que vive aclamando as mentiras dos tiranos
E ergue os braços, mas não vê que está acorrentado!
Vós, que soais em júbilo pelas falsas promessas,
E cantais hinos de liberdade em cadeias invisíveis,
Quando, ao invés de reis, sois governados por seus próprios medos,
E ao invés de senhores, sois escravos do vosso desejo de prazeres fúteis.
II
Ah, como são cegos, ó povo, ao olhar para o futuro,
Com os pés enredados nas sombras de um passado ignorado,
Onde a história é distorcida e as verdades esquecidas,
E cada um de vós vive na mentira que vos conforta.
Vós que idolatrais os ídolos de barro,
E erguês os altares aos deuses de ouro,
Ignorais que a verdadeira glória não se encontra
Naqueles que vos enchem os olhos, mas sim
Naquelas que iluminam os vossos corações com sabedoria.
III
Mas, vós, pobres almas, que temem o desconhecido,
E aplaudís o opressor que vos dá falsas esperanças,
Onde está a coragem que, outrara, habitava os corações dos antigos?
Onde os heróis, os verdadeiros libertadores,
Que não se curvam diante do poder, mas o desafiam com a verdade?
Ah, vós, que preferis a falsa paz da ignorância
À luta pelo que é justo,
Vós, que trocais a liberdade pela segurança da mentira,
Olhai o espelho de vossa própria subserviência!
IV
O que fareis, quando o peso das correntes
Que vós mesmos colocais em vossos próprios corpos
Se tornar insuportável, e não houver mais espaço para a fuga?
Pois o opressor que acenais como rei
É o mesmo que vos prende, e com as mesmas mãos,
Que afagam, vos apertam no veneno do conformismo.
E, ao final, o que será de vós, quando já não puderdes mais
Esconder os olhos de sua própria vergonha?
V
(…)
VI
Ó povo, o vosso poder está nas vossas mãos,
Mas vós o entregais como crianças incautas,
Pensando que ao entregá-lo ao tirano
Seréis poupados da dor, mas ao contrário,
Estareis sendo enganados pelo mais doce dos venenos.
O poder que vós detendes, se o usardes com sabedoria,
Pode ser a chama que transforma o mundo,
Mas se o entregardes a outros,
Serão essas mesmas mãos que vos condenarão.
VII
Ah, povo, quando iremos perceber que a verdadeira grandeza
Não está nas promessas que vocês fazem os opressores,
Mas na força que reside na união dos corações livres?
Erguei-vos, não para seguir, mas para liderar,
Não para servir, mas para construir,
E, com isso, libertar-vos da prisão invisível
Que vós mesmos alimentais com vossas próprias mãos.
Pois, na verdade, só a verdade pode tornar-vos verdadeiramente livres,
E vós, que ainda permanecem nas sombras,
Vós sois os únicos capazes de acender a luz.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (12/14)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 12 – O Rei Não Sabe Ler

By Dall-E 3

I
Ah, que espetáculo é este, em que o rei não sabe ler?
Com coroa dourada e manto de seda,
Ele se senta em seu trono, como um deus,
Mas não pode ler os sinais da sua própria destruição.
Que rei é este que não conhece as palavras,
Que não pode desvendar o significado dos próprios decretos,
II
E, ao tentar governar, se perde nas linhas do vazio?
Ele é um monarca sem sabedoria,
Um soberano cujo reino é governado pela ignorância,
E suas decisões, sem base, fundaram seu império
Na fossa escura da ilusão e da mediocridade.
III
Você, oh rei sem saber, quem você aconselha?
Se não podem ler as cartas que são entregues a vós,
Como podemis distinguir a verdade da mentira?
Com vossos olhos cegos, julgais as almas,
E, com vossas mãos trêmulas, escreveis sentenças de morte.
IV
Mas, ah, o que é um rei sem sabedoria,
Senão uma criança brincando com fogo?
Vossas palavras não são leis, mas ecos vazios
Que ressoam nas paredes de um castelo de vidro,
Pronto a se despedaçar ao menor toque de razão.
V
Não sabeis o que é o poder do conhecimento,
Nem o que é o peso das letras que forjam o destino.
Em vossa ignorância, vós sois como uma estátua de sal,
Imóvel e incapaz de compreender o mundo que vos rodeia.
Como pode um homem governar sem saber a verdade
Que se esconde nas páginas que ele nunca leu?
E como pode um rei, sem as armas do saber,
Enfrentar o mar revolto das dúvidas e das revoluções?
Vós, que pensais que a coroa confere sabedoria,
Vós, que acreditais que o poder nasce da aparência,
Estais condenados, sem perceber, a ser fantoche
Nas mãos daqueles que sabem o que vós nunca perceberam:
Que a verdadeira força de um rei reside em seu coração informado.
VI
Oh, que ironia cruel é essa, que vê o rei,
Sentado em seu trono, sem entender as cartas que o cercam,
E se perde nas palavras que não sabe ler!
O império que ele governa não é de ouro, mas de areia,
E, quando o vento da verdade soprar,
Não restará mais nada senão a poeira do que ele não quis conquistar.
Pois o rei que não sabe ler é um rei sem alma,
E seu império não é mais do que um espelho quebrado
Que reflete a vaidade e o orgulho de quem se esqueceu
De que o verdadeiro poder vem da sabedoria,
E não do ouro, nem da coroa, nem da ilusão.
VII
No fim, o trono se esvazia,
E o rei, em sua solidão, se verá sem reino,
Sem saber o que fazer com o poder que nunca entendeu.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)