14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (14/14)

(Betto Gasparetto)

Átrio 14 – O Voto dos Banguelas no País das Dentaduras

By Dall-E 3

I
Ah, o voto dos banguelas, esse espetáculo ridículo,
Onde os lábios, vazios e partidos, proferem palavras vazias,
E as promessas se dispersam, como ossos quebrados,
Nas bocas que jamais puderam saborear a verdade!
Que glória pode haver em tal voto,
Quando a própria dignidade se esvai na sujeira da submissão?
Os banguelas, ah, os banguelas, são reis sem coroa,
Que, na sua falta de dentes, falam de um poder que nunca entenderam,
E, sem saberem, entregam suas almas aos mestres da mentira,
Que se alimentam da carcaça de suas esperanças vazios.
II
(…)
III
Vós, que ergueis as mãos, pálidas e frágeis,
Como se o seu voto fosse mais do que um sopro no vento,
Que efeito pode ter a palavra de quem nada tem a oferecer
Além de um gesto desesperado por atenção?
O voto dos banguelas não passa de uma ilusão,
Uma cortina de fumaça erguida por aqueles que sabem
Que, ao final, o voto não é senão um teatro encenado,
Onde todos participam, mas poucos têm a voz para decidir.
Ah, que ironia, que o cinismo existe em vossas bocas cerradas,
A cantar hinos de liberdade, enquanto são silenciadas pela indiferença!
IV
Mas, oh, como é belo o voto da ignorância!
Ele se faz ouvir, mas ninguém o escuta,
E é dado como se fosse um pedaço de pão
Distribuído aos famintos, mas jamais alimentando a alma.
Esses banguelas, reis de um reino de mentiras,
E governantes de um império sem sentido,
Caminham sobre um solo que não pode sustentar seus passos,
E celebram, na sua cegueira, o que não entende.
Pois seu voto, sem dentes e sem substância,
É apenas uma expressão de sua submissão,
E o único poder que possui é o de se enganar.
V
Ah, mas o que restará de tudo isso,
Quando a verdade finalmente romper a cortina da ilusão?
VI
Vossos votos, que pensam tão poderosos,
Serão tão vazios quanto as bocas que os proferiram,
E, ao fim, o que será de vocês,
Quando perceberdes que o voto não é mais que uma mentira
Que se alimenta da frustração e da desesperança?
VII
Ah, o voto dos banguelas,
É a risada final de um sistema falido,
Onde, no fundo, todos somos mais vítimas
Do que verdadeiros agentes de nossa própria libertação.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)

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