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14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (11/14)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 11 – O Reino dos Ignorantes

By Dall-E 3

I
(…)
II
Ah, que grande e pomposo é o reino dos ignorantes,
Onde as mentes se fecham como oportunidades enferrujadas,
E o saber, como uma chama, é apagado pela preguiça!
Aqui, o rei não conhece a sabedoria,
E sua coroa é feita não de ouro, mas de névoa,
Pois os vassalos de sua corte não sabem distinguir
O que é verdade do que é mentira.
Aqui, a ignorância é vestida com roupas de poder,
E as certezas são exiladas para os confins do esquecimento,
Onde sua luz jamais ilumina os corações empedernidos
Desses que se deleitam na escuridão de suas próprias mentes.
III
Vós, ó súditos deste reino, como vosso rei!
Com olhos vendidos, e corações cegos,
Vós caminhais por um caminho sem fim,
Onde cada passo dado é uma mentira em movimento,
E cada palavra dita, uma falsa verdade.
O que sabeis, senão o que vos está aqui
Por aqueles que também se perderam no labirinto da vaidade?
Ah, que irônico é o seu orgulho,
Quando vos elevais, não sobre os alicerces do conhecimento,
Mas sobre o solo seco da ilusão que vós mesmos semeais.
IV
(…)
V
Em seu reino, o pensamento é um inimigo,
E quem ousa questionar é logo calado
Por aqueles que, com medo, preferem a ignorância
À verdade que eles cortam o coração.
Que lamentável é a terra que se nutre de mentiras,
Onde o simples desejo de saber é visto como heresia,
E a busca pela sabedoria é considerada uma ameaça,
Pois, como seus corações são pesados ​​pela mediocridade,
Não podem suportar o peso da grandeza que o saber traz.
VI
Ah, mas o vosso reino, ó ignorantes,
É feito de areia movida, e vocês nele afundais!
Vossos castelos de falsas certezas desmoronam a cada vento,
E as vozes de seus mestres, caladas por tanto tempo,
Ecoam como gritos de advertência nos seus ouvidos surdos.
Você, que acredita que a ignorância é poder,
Logo verá que o vazio do seu reino será necessário
apenas pelas sombras daquilo que não lhes pareceu conquistar.
VII
E, ao final, quando o véu da ignorância for levantado,
O que restará? Nada além de um reino de fantasmas,
Onde a história, a verdade e o conhecimento
Foram apagados pelas mãos de quem não queria ver.
Ah, como seu império se desintegrará
Como um castelo de cartas ao vento,
Pois os ignorantes não sabem que o verdadeiro poder
Está no coração que busca a verdade,
E não nas mãos que a desprezam.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)