Arquivo para 3 de janeiro de 2025

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (07/10)

Posted in Sem categoria on 3 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão VII. A Voz do Abismo Interior

By Dall-E 3

I
Do âmago da alma, ergue-se um clamor,
Uma voz rouca, profunda, dilacerante,
Ecoa o abismo de um ardor sombrio,
De amor frustrado e ódio retumbante.
*
Ó voz que em mim habita, tão feroz,
Por que ruges contra os céus e contra a terra?
É murmúrio ou grito, em rude atroz,
Que em cada sopro meu peito desterra?
*
Não há apenas rancor ou saudade,
Mas uma mistura insana de ambos os venenos.
É o reflexo da cruel dualidade,
Que em meu peito alterna dores e acenos.
II
Que me força leva ao abismo sombrio,
Onde teu chamado ecoa sem fim?
É, ó voz, o vento gelado e vazio,
Que carrega cinzas de tudo em mim.
*
Mas oh, em tuas sugestões há um segredo,
Uma verdade velada e destrutiva.
Tu falas de amor, e falas de medo,
E de uma paixão que ainda é viva.
*
Tu me recordas os toques passados,
Os beijos que, embora falsos, me ardiam.
E mesmo nos dias mais ensanguentados,
Lembra-me das juras que a vida mentia.
III
Ó abismo, é espelho de minh’alma nua,
Onde o ódio dança com o amor perdido.
E tua voz, qual bruma sob a lua,
Revela o tormento que em mim está contido.
*
Como escapar do teu canto inclemente,
Se em cada nota há vestígios dela?
Tu és a sombra que se faz presente,
Mesmo quando busco romper a cela.
*
Mas há em tua voz, por mais dilacerante,
Uma centelha de força incontida.
Pois mesmo sofrer o amor exultante,
Prova que ainda pulsa a chama da vida.
IV
Ó abismo, tua voz é minha pesar,
mas também o sopro que me mantém vivo.
Pois só quem sente, seja amar ou odiar,
Conhece o peso do existir altivo.
*
Que restou, então, a dualidade cruel,
O canto que em mim jamais se aquieta.
Pois entre o amor sublime e o ódio infiel,
Vive a alma, eterna e incompleta.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (06/10)

Posted in Sem categoria on 3 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão VI. O Altar das Memórias Profanas

By Dall-E 3

I
Ergui-me ao altar das memórias vencidas,
Relíquias de um tempo em dourada ilusão.
Ali prostrei-me, em dores esquecidas,
E ofertei minh’alma em pura contrição.
*
Sobre a pedra fria do passado antigo,
Vi teus gestos gravados em sombras densas.
Teu sorriso, outrora doce abrigo,
Hoje é máscara de promessas tensas.
*
Cada toque teu, outrora divino,
Agora é espinho que rasga a lembrança.
E o altar, que foi o meu céu cristalino,
É templo profano de tua mudança.
II
Por que, ó deusa de meu amor eterno,
Profanaste o sagrado que entre nós havia?
Transformaste o calor em inverno,
E o templo em ruína de fria agonia.
*
Sobre as cinzas do que um dia sonhei,
Vi teu vulto dançando em zombaria.
Como foste o sol que eu tanto adorei,
Se hoje é treva, tormento e heresia?
*
Oh, memórias, vós que tanto me afligis,
Sois espelhos quebrados de glórias passadas.
Cada fragmento, cruel, contradiz
O amor que em minha alma fora semeada.
III
Teu nome ecoa entre as colunas partidas,
Como um canto funéreo em vasto vazio.
E minhas lágrimas, em preces contidas,
São o rio que o altar sofreu.
*
Que sejam, pois, queimadas as memórias,
Queimadas na chama do ódio latente.
Pois nelas estão relacionadas as mais vis histórias
De um amor que morreu sob seu olhar ausente.
*
Mas oh, mesmo em meio ao tormento profano,
Ainda resta a centelha do que fomos.
Pois o amor, que é tanto castigo quanto o alento,
Resiste às ruínas de nossos assomos.
IV
Altar das memórias, templo arruinado,
Acolhe meu pranto e meu último lamento.
Pois mesmo partido, o amor é sagrado,
E vive em meu peito como eterno tormento.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (05/10)

Posted in Sem categoria on 3 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão V. O Ódio que Brota do Silêncio

By Dall-E 3

I
Ah, silêncio, carrasco das esperanças,
Que desces qual manto sobre a palavra.
Em teu vazio, mil dores se lançam,
E a alma em desespero se desagrava.
*
Por que calastes, ó voz tão querida,
Que outrora em meu peito cantava o amor?
Hoje é ausência, um eco sem vida,
Uma sombra fria que exala o rancor.
*
Teu silêncio é punhal em lâmina nua,
Que corta as fibras do meu coração.
Em tua mudança, a noite flutuante,
Trazendo comigo a mais vil solidão.
II
Foi ali, no abismo de sua omissão,
Que o ódio nasceu, criatura feroz.
Um monstro que rasga sem compaixão,
Que cresce em silêncio e devora a ternura.
*
Ó, como amarga é a dor de não ouvir
A doce melodia da tua presença!
E quão terrível é o ódio a consumir
A lembrança de sua voz em clemência.
*
Teu silêncio não é pausa, é sentença,
Um veredito cruel que a vida estanca.
Cada instante que emudece a tua crença
É um golpe que em meu ser se crava e espanca.
III
Mas mesmo o ódio, que brota insano,
Não apaga o amor que ainda persiste.
Pois no fundo, este duelo tirano
Mostra que em meu peito o amor resiste.
*
Oh, como pode a ausência ser tão alta,
Preencher ou ar com peso infinito?
Teu silêncio é muralha que exalta
A dor de um amor que hoje habita o conflito.
*
Que venha o som, mesmo em gritos ferozes,
Que destrua o vazio onde o ódio floriu.
Pois na tormenta das vozes mais ásperas,
Prefiro o clamor ao silêncio que feneceu.
IV
Silêncio, tu, cruel artifício do rancor,
É sombra que engendra o ódio e o vazio.
Mas mesmo em ti, resta a marca do amor,
Que sobreviveu à dor deste desvario.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (04/10)

Posted in Sem categoria on 3 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão IV. A Cicatriz da Promessa Quebrada

By Dall-E 3

I
Óh palavra, proferida em juras santas,
Ecoastes em mim como um cântico eterno.
Mas hoje são notas fugazes e tantas,
Cindidas em prantos, moldadas no inverno.
*
“Amar-te-ei até que o tempo desista,”
Juraste com lábios de mel embebidos.
Mas tua promessa, tão bela e malvista,
É hoje um punhal entre os meus sentidos.
*
Que são os juras senão frágeis correntes,
Que, ao menor toque do vento, se partem?
Se a fé se desfaz entre dedos doloridos,
Que resta do amor senão chamas que ardem?
II
Ah, quantas vezes em noites sombrias,
Revivi teu sussurrar, doce engano.
Mas oh, quão rudes tornaram-se os dias
Que ao amor traído tecem seu pano!
*
Teu nome é agora ferida latente,
Gravado a ferro em minh’alma partida.
E a promessa que outra era reluzente
Hoje é cicatriz de uma dor incontida.
*
Como ousaste, ó traidora sublime,
Erguer castelos de sonhos em vão?
Se ao menor tremor o encanto se exprime
E as torres desabam sobre o coração.
III
Oh, juramento, tão doce e perverso,
Foste a luz que guiou minha desventura.
Tua quebra é o verso do amor submerso,
O laço rompido da dor mais impura.
*
E, no entanto, mesmo em tua perfeição,
Eu busco na sombra vestígios do brilho.
Pois na dor, o amor é tênue delírio,
Um cântico eterno em tortuoso exílio.
*
Por que a promessa não é verdade?
Por que o amor não resistiu ao abismo?
Hoje sou náufrago da tua falsidade,
Perdido no mar do meu próprio otimismo.
IV
Que restou, então, a cicatrizante pungente,
Memória cruel de um amor que encontrou.
Pois mesmo partida, a alma ainda sente
Que a dor, no fim, o amor superou.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (03/10)

Posted in Sem categoria on 3 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão III. O Beijo Acorrentado da Serpente

By Dall-E 3

I
Teus lábios, ó cálice de doce agrura,
São abismos onde me lanço cativo.
Neles busquei a redenção futura,
Mas encontrei o toque corrosivo.
*
Oh, veneno suave, em seda envolto,
Que a língua destila com sutil fervor!
Tu, que com beijo me eleva ao alto,
Depois me derruba em dor sem vigor.
*
Como serpente oculta entre as flores,
Teu beijo é promessa de breve rompimento,
Mas atrás consigo os mais negros horrores,
Um juramento que se faz cativo.
II
O que é o amor senão tormento disfarçado?
Que em lábios tão doces seu flagelo guarda?
Teu toque, que julguei ser abençoado,
É lâmina fria que a carne retarda.
*
Ó, beijo infame que me fez tremer,
Na esperança de um êxtase divino,
Transformaste o prazer em rude morrer,
E a glória em cinzas de um triste destino.
*
Que dualidade habita em sua boca?
Pois nela reside tanto o céu quanto o inferno.
Por um momento, a paixão me sufoca;
No seguinte, é o gelo do inverno.
III
E eu, escravo de tão cruel ternura,
Não posso fugir, nem desejo escapar.
Pois mesmo ferido, busco a loucura
De em teus lábios eternamente estar.
*
Por que, ó deusa de insana beleza,
Trouxeste em teus beijos o fel da traição?
Transformaste em sombras minha certeza,
Deixaste em ruínas meu pobre coração.
*
Mas mesmo assim, entre dor e delírio,
Teu beijo é prisão que escolho abraçar.
Pois o amor, mesmo na dor in vítreo,
É chama que insiste em jamais se apagar.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)