10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (08/10)
(Betto Gasparetto)
Incisão VIII. A Dança Aprisionada do Coração

By Dall-E 3
I
No seio da noite, onde sombras se enlaçam,
Ecos de amor e ódio se entrelaçam num só.
O coração, qual título em cordas que passam,
Dança, ao som de uma música de pó.
*
Ó música sombria, em notas de dor,
Que conduz meus passos a um ritmo insano.
É melodia de um amor traidor,
E sinfonia de um ódio profano.
*
O coração, palco esse errante,
Oscila entre júbilo e amarga sentença.
Num instante, é luz que brilha ofuscante,
No seguinte, é treva de amarga presença.
II
Oh, que cruel é esta dança incessante,
Que prende minha alma num laço fatal.
O amor, doce veneno, tão penetrante,
Une-se ao ódio num passo brutal.
*
Como podem, ó peito, em sua loucura,
Bailar entre extremos, sem direção?
Tua pulsação é tanta paixão pura
Quanto o pulsar de um arpão sombrio.
*
És, coração, o arauto da desgraça,
E também o guardião de doces memórias.
Cada batida tua, embora desfaça,
Resguarda, em segredo, nossas histórias.
III
Nesta dança, vejo o vulto dela surgir,
Qual espectro que me convida ao delírio.
Sua presença me faz tanto sorrir
Quanto chorar num cruel martírio.
*
Mas oh, mesmo ferido, persista no passo,
Pois abandonar esta dança é morrer.
E o amor que me sirva de laço,
É o ódio que me ensina a viver.
*
Dança, coração, ao som de tua desgraça,
Até que a música cessa, enfim.
Pois enquanto o amor e o ódio se abraçam,
Vive em ti o que resta de mim.
IV
E quando a última nota soar no ar,
E teu pulsar silenciar em descanso,
Que descansa apenas o eco a testemunhar
Esta dança de um destino tão denso.
(Betto Gasparetto – ix/xcviii)
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