(Betto Gasparetto)
Carta XI: Às palavras que nunca chegam a tempo

B y Dall-E 3
Minha amada,
Quantas palavras morrem em meus lábios antes de encontrar o papel? Quantos sentimentos, por mais intensos que sejam, parecem pequenos diante da imensidão que é o que sinto por ti? Escrever-te é um alívio e um tormento; alívio por poder comunicar-me contigo, tormento por saber que estas palavras não são suficientes para expressar tudo.
Cada linha que traço é um pedaço da minha alma que te envio. São estas palavras que atravessam os mares por mim, levando até ti o que meu coração não suporta guardar sozinho. Mas, ao mesmo tempo, sinto que elas nunca chegam a tempo, nunca dizem tudo o que desejo.
Espero que, ao lê-las, sintas a verdade que carregam, pois cada uma delas é impregnada do mais puro amor, da mais sincera saudade. Ainda que o tempo e a distância conspirem contra nós, minha alma permanece ligada à tua, como um navio que não pode desatar-se de seu porto.
Com a sinceridade de quem te ama além das palavras,
Aquele que sempre tentará dizer mais
(Betto Gasparetto – v/mcmcxii)



