CARTAS MARITIMAS: AMORES PERFEITOS EM MARES IMPERFEITOS (02)
(Betto Gasparetto)
Carta II: À saudade que corta mais que as ondas

By Dall-E 3
Minha amada,
Hoje, ao contemplar o céu sobre este mar infinito, percebi que as estrelas que outrora julgava brilhantes são pálidas em comparação ao fulgor dos teus olhos. Cada noite, quando a solidão se faz mais intensa, recorro à lembrança do teu olhar para não sucumbir ao vazio que a distância nos impõe.
As águas têm sido cruéis, assim como o tempo que insiste em nos apartar. As noites são longas, e os dias, por mais que o sol se erga, são sombrios sem a tua presença. A saudade é uma faca de lâmina fina que corta o peito lentamente, sem piedade, sem pressa.
Não sei o que mais temo: as tormentas que rugem ao longe ou a possibilidade de que, ao regressar, os teus braços já não me esperem com o mesmo fervor. Mas digo-te, minha querida, que o amor que levo no peito é como âncora que me sustenta, e tua imagem, como vela que me impulsiona.
Quando fecho os olhos, vejo-te debruçada à janela, olhando o horizonte com a mesma melancolia que me envolve agora. Sonho com o momento em que essas águas que nos separam se tornem meros reflexos do passado e eu possa sentir teu calor novamente.
Tua ausência é meu tormento, mas tua memória é meu consolo.
Sempre teu,
Aquele que sonha contigo em cada onda
(Betto Gasparetto – v/mcmcxii)
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