CARTAS MARITIMAS: AMORES PERFEITOS EM MARES IMPERFEITOS (03)
(Betto Gasparetto)
Carta III: Ao porto seguro do teu abraço

By Dall-E 3
Minha adorada,
Hoje, as velas do navio foram arriadas, e ancoramos em uma terra distante. Contudo, mesmo em meio às novidades e às cores vibrantes deste lugar, meu coração não encontrou repouso. Cada rosto que vejo, cada som que ouço, parecem ecoar apenas o teu nome, e cada passo que dou me afasta ainda mais do lar que é teu abraço.
Nas noites silenciosas, quando o murmúrio das ondas embala os sonhos de todos a bordo, encontro-me acordado, fitando o vazio, buscando o alívio que só o teu sorriso pode trazer. Ah, minha amada, como é possível que algo tão etéreo quanto a saudade pese mais que os baús de tesouros que aqui descobrimos?
Quisera eu que tu pudesses sentir o calor que ainda reside nas cartas que te escrevo. São pedaços de mim, enviados com a esperança de que, ao tocá-las, sintas minha presença, mesmo que por um breve instante.
Prometo-te que, assim que o horizonte nos unir novamente, cairei aos teus pés como um náufrago que reencontra a terra firme. Meus braços envolverão teu corpo com a força de quem teme que o sonho possa desvanecer, e meus lábios sussurrarão ao teu ouvido todas as palavras que estas cartas não conseguem conter.
Até lá, serei o eterno marinheiro perdido na vastidão, mas guiado pelo farol do teu amor.
Teu, sempre teu,
Aquele que vive por ti, ainda que distante
(Betto Gasparetto – v/mcmcxii)
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