CARTAS MARITIMAS: AMORES PERFEITOS EM MARES IMPERFEITOS (04)
(Betto Gasparetto)
Carta IV: À lembrança do calor dos teus lábios

by Dall-E 3
Minha adorada,
Nesta noite, o mar dança inquieto sob a luz pálida da lua, mas nem mesmo a beleza deste cenário acalma a tormenta que há dentro de mim. Lembro-me, como se fosse ontem, do momento em que nossos lábios se tocaram pela última vez. O calor daquele instante ainda queima em meu peito, aquecendo-me nas noites frias e solitárias desta viagem.
Quantas palavras ficaram presas em minha garganta no dia da partida? Quantos adeuses silenciosos entoaram em meu coração enquanto o navio se afastava e teu rosto desaparecia no horizonte? Hoje, escrevo-te com a alma repleta de arrependimento por não ter dito o quanto te amo com mais força, com mais clareza, com mais desespero.
Cada linha que te envio é como um grito abafado que atravessa os mares, na esperança de que chegue até ti. Quisera eu que estas palavras fossem capazes de atravessar as águas, os ventos, e pousar em teu peito como um pássaro ferido buscando repouso.
Anseio pelo dia em que poderei tocar teu rosto novamente, sentir o perfume dos teus cabelos, perder-me no brilho inigualável dos teus olhos. Até lá, vivo preso à memória do que somos, sustentando-me com a promessa de que o futuro nos reservará novos momentos para escrevermos juntos.
Tua ausência é o meu fardo, mas teu amor é a minha força.
Eternamente teu,
Aquele que vive em teus beijos passados
(Betto Gasparetto – v/mcmcxii)
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