CARTAS MARITIMAS: AMORES PERFEITOS EM MARES IMPERFEITOS (05)

(Betto Gasparetto)

Carta V: À espera que se faz infinita

By Dall-E 3

Minha amada,

Os dias se arrastam como marinheiros fatigados pelo peso da jornada. O tempo, que deveria ser nosso aliado, tornou-se um inimigo impiedoso, prolongando cada instante longe de ti como uma eternidade insuportável. No silêncio das madrugadas, pergunto-me se sentes a mesma ausência que me consome, se tua alma também clama pela minha com a mesma intensidade.

Hoje, enquanto as ondas beijavam a quilha do navio, senti uma angústia que não consigo descrever. Pensei em ti, como sempre faço, mas desta vez, uma dúvida cruel sussurrou em meu ouvido: “E se ela já não me espera?” Essa ideia, ainda que breve, feriu-me mais profundamente do que qualquer tempestade que já enfrentei.

Mas não posso, não devo, duvidar do amor que construímos. Ele é forte como as rochas que desafiam as marés e verdadeiro como o céu que nos cobre, mesmo que agora estejamos sob horizontes diferentes.

Peço-te, minha querida, que aguardes por mim. Que tenhas fé em que os ventos, tão caprichosos, nos trarão de volta ao mesmo porto. Prometo que, ao regressar, farei valer cada instante perdido. Cada abraço, cada palavra não dita, cada lágrima derramada pela saudade será compensada com a intensidade de quem ama além do que pode suportar.

Sou teu, sempre fui e sempre serei.

Com amor e esperança,
Aquele que espera por ti no fim de todos os mares

(Betto Gasparetto – v/mcmcxii)

Deixe um comentário