CARTAS MARITIMAS: AMORES PERFEITOS EM MARES IMPERFEITOS (08)

(Betto Gasparetto)

Carta VIII: Ao reflexo dos teus olhos em minha memória

By Dall-E 3

Minha amada,

Hoje, enquanto observava as águas calmas ao cair da tarde, vi refletido nelas o brilho dos teus olhos. Ainda que fosse uma ilusão criada pela saudade, meu coração se aqueceu, pois não há visão mais doce do que a tua. O mar, sempre tão vasto e indecifrável, tornou-se menor diante do abismo da distância que nos separa.

Recordo-me dos dias em que tua presença era minha única necessidade. Agora, no silêncio destas jornadas, percebo que tua ausência se tornou meu maior companheiro. Cada memória de ti é uma onda que me atinge, trazendo ora conforto, ora dor, mas sempre lembrando-me do amor que nos une.

Espero que, ao receber estas palavras, sintas o mesmo calor que sinto ao escrevê-las. Pois, minha querida, se não posso estar ao teu lado, deixo que estas cartas sejam o abraço que meus braços não podem oferecer.

O horizonte, por mais distante que pareça, é a linha que nos promete reencontro. E eu, tua eterna âncora, aguardarei o dia em que possamos lançar fora todas as correntes que nos prendem a este intervalo de saudades.

Teu, em pensamento e coração,
Aquele que vê o infinito em ti

(Betto Gasparetto – v/mcmcxii)

Deixe um comentário