(Betto Gasparetto)
Carta I: Ao horizonte que guarda teu olhar

By Dall-E 3
Minha querida,
Escrevo-te com o peito cheio de saudades e as mãos que vacilam entre o peso da distância e a ânsia de voltar ao calor dos teus abraços. O mar, com sua vastidão implacável, separa-nos, e cada onda que se ergue diante de mim carrega o lamento de um amante que clama pelo teu nome ao vento.
Navego por águas desconhecidas, mas a maior incógnita que enfrento é como viver longe de ti. És a estrela que guia meu caminho e o farol que ilumina minhas noites. Ainda que os mapas me conduzam a terras inexploradas, nenhum tesouro se iguala ao brilho do teu sorriso ou à maciez do teu toque.
Lembro-me do dia em que partimos, quando tua mão hesitou em me soltar, e teus olhos, marejados, disseram o que teus lábios silenciaram. Trago comigo a imagem daquele instante, como se fosse uma pintura guardada no relicário do meu peito. Não há força que apague as memórias de nós dois, ainda que o tempo e a distância conspirem contra o que temos.
Suplico — não aos deuses, mas às estrelas — para que guardem nossos caminhos até o momento do reencontro. Quando este dia chegar, prometo que meus braços serão o abrigo que tanto desejas, e minhas palavras, a melodia que há muito ansias ouvir.
Até lá, vivo no desespero doce de quem ama e na esperança de quem acredita que os ventos sempre trazem o navio de volta ao porto.
Teu, eternamente,
Aquele que navega por amor
(Betto Gasparetto – v/mcmcxii)