NAS MÃOS DO MEU LIBERTADOR (01)

(Betto Gasparetto)

I – Palavras Cortantes

By Dall-E 3

I

Ó Senhor, que do alto do céu escutas o clamor das almas atribuladas, atenta para aqueles que, em sua cegueira, buscam apenas a destruição. Não é o peso de minhas faltas que me imola, mas o peso de um mundo que, com suas sombras, se lança sobre mim, como um exército imenso. Os que me cercam não buscam a verdade, mas a mentira que alimenta suas vaidades, e, ao encontrar o fraco, veem em sua fragilidade uma oportunidade para afiar suas lâminas.

II

Eu te imploro, ó Deus, não pela força de meus braços, mas pela força da tua justiça. Não que minha causa seja imaculada, pois sou pleno de falhas, mas em cada um de nós, ó Senhor, tu semeaste o desejo da paz, e é esta a minha defesa. Pois quando os ímpios se levantam com suas palavras cortantes e suas mentiras afiadas, o único abrigo que encontro é o teu olhar compassivo, que desvenda as sombras que me cercam.

III

Aqueles que se alimentam do sofrimento alheio não veem, ó Senhor, que ao semear o mal, ao erguerem suas garras contra a inocência, eles mesmos se consomem. Que teus olhos, puros e imutáveis, possam ver a verdade que se oculta no coração dos justos e esmagar com tua mão de fogo as ilusões dos ímpios. Tu que és o escudo, a fortaleza, a rocha onde a alma se apoia, no silêncio da noite, quando todos os gritos da humanidade se tornam ininteligíveis, é a tua voz que ainda ressoa, chamando os corações a se voltarem para a justiça.

IV

Que eu não deseje a ruína de meus inimigos, mas que eles, ao se confrontarem com a tua justiça, se vejam diante de um espelho que reflete não só suas maldades, mas a dignidade da tua verdade. Que cada palavra que proferem, cada gesto que fazem, caia sobre eles como peso de chumbo, que, ao fim, os conduza à reflexão. Pois a verdadeira derrota não é o fim físico, mas a percepção amarga de que se viveu em vão, sem conhecer a compaixão, sem compreender o amor que transcende o egoísmo.

V

Quando, ao fim, as tardes se tornarem noites e os gritos do mundo ecoarem em nossos ouvidos, que possamos levantar os olhos para ti, ó Senhor, e ver não a fúria do inimigo, mas o alívio que vem com a tua presença. Quando tudo parecer perdido e a tentação do desespero ameaçar submergir o espírito, que a tua misericórdia se faça presente, qual luz a guiar nossos passos vacilantes. Pois, em tua misericórdia, a vida renasce a cada amanhecer, e em tua verdade, a alma encontra seu repouso.

VI

Assim, mesmo em meio às provações, cantaremos a tua força, e louvaremos a tua misericórdia, não apenas por aquilo que fizeste por nós, mas por aquilo que ainda farás. Que o coração dos justos, fortalecidos pela tua graça, seja o testemunho de que, mesmo nas maiores adversidades, tua bondade nunca se ausenta, e que os injustos, em sua arrogância, não encontrarão refúgio, senão o peso de suas próprias ações.

VII

Ó Senhor, que a nossa fé seja como uma fortaleza intransponível, e que a nossa esperança se renove a cada dia. Pois sabemos que, em tua mão poderosa, está o destino de todas as nações, e que, ao fim, tua vontade se cumprirá, trazendo a justiça e a paz que todos ansiamos. Assim, de nossa parte, renderemos nossas almas à tua misericórdia, com a certeza de que, mesmo na adversidade, somos guiados pela luz que tu nos ofereces. E que essa luz, mesmo nas noites mais escuras, jamais se apague, mas resplandeça para todos, com a promessa de um novo amanhecer.

(Betto Gasparetto – xi/xix)

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