NAS MÃOS DO MEU LIBERTADOR (02)
(Betto Gasparetto)
II – O Refúgio da Esperança

By Dall-E 3
I
Quando a alma se vê esmagada pelo peso das ofensas e as sombras se alongam, ofuscando a visão da paz, é na quietude da oração que encontro abrigo. Não peço, ó Senhor Jeová, que afastes de mim as tempestades da vida, mas que me concedas forças para caminhar entre elas com dignidade. Pois sei que não sou imune ao mal, e que a fragilidade humana me torna vulnerável aos ataques daqueles que, em sua cegueira, desconhecem o valor da justiça.
II
No entanto, nas horas de maior tribulação, vejo em ti, ó Deus, a força que não me abandona, a mão que me segura quando os ventos ameaçam me derrubar. Eles vêm, não por razão, mas pela fúria de seus corações, que se alimentam do sofrimento do próximo, buscando elevar-se sobre os fracos. Com palavras afiadas, como lâminas ocultas, eles tentam ferir minha alma, sem compreender que sua força é como a de um castelo de areia, que se desintegra diante da maré da tua verdade.
III
Eles gritam, mas tu, ó Senhor Jeová, permaneces em silêncio, não por indiferença, mas pela paciência que é maior do que o rancor. Enquanto eles, em sua arrogância, pensam que podem submeter a verdade à mentira, tu, com um olhar, revelas a fragilidade de seus próprios castelos. Eles desejam que os ouvimos, mas em ti, ó Senhor, está o único som que ressoa como música nos nossos corações. Pois tu não te deixas enganar pelas palavras vazias, nem pelas promessas de uma falsa paz.
IV
E, mesmo quando me vejo sozinho em meio à multidão, quando os passos se tornam pesados e os olhos buscam o horizonte sem encontrar conforto, é em ti que encontro meu refúgio. Tu és a rocha inabalável em um mundo que se desfaz em ruínas. Não importa quantos sejam os inimigos que se levantem, ou quantos se reúnam para destruir, pois, como um escudo, tu me cercas com a força do teu amor. Ninguém pode tocar a alma do justo quando é defendido pela mão do Senhor.
V
Eu não desejo vingança, pois o meu coração, embora ferido, ainda anseia por salvação. Que eles, em sua busca incessante por poder, encontrem no vazio de suas ações a realidade amarga de que, ao ferir, são eles que se mutilam. O mal que destilam não atinge apenas aqueles que visam, mas os próprios corações que o emitem, deixando-lhes um vazio que nada pode preencher. E, ao se voltarem para o mundo, buscando saciar seus desejos insaciáveis, verão que nunca encontrarão o que procuram, pois a verdadeira paz não se compra com sangue, nem se conquista com mentiras.
VI
E ao final de todo o sofrimento, quando as vozes dos injustos se silenciarem e as feridas que me impuseram já não sangrarem, cantarei a tua grandeza, ó Senhor. Pois tu, que me protegeste, me ensinaste a beleza da verdadeira força: aquela que não se mede pela capacidade de ferir, mas pela sabedoria de perdoar. E na tua misericórdia, encontro a renovação, não apenas da minha alma, mas de toda a humanidade que ainda crê na bondade. Com gratidão, louvarei o teu nome, pois em tua graça encontrei o que todos buscam: a paz que nunca se apaga.
(Betto Gasparetto – xi/xix)
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