NAS MÃOS DO MEU LIBERTADOR (03)
(Betto Gasparetto)
III – A Luz que Não Se Apaga

By Dall-E 3
I
Em meio às tormentas da vida, quando o mundo se torna um campo de batalha onde a verdade é dilacerada, minha alma, sedenta de justiça, clama a ti, ó Senhor. Não são os meus próprios erros que me perturbam, mas as sombras que se estendem sobre a verdade, distorcendo-a até que se torne irreconhecível. Os que se levantam contra mim não buscam apenas a minha queda, mas a destruição de tudo o que é puro e belo, como se pudessem apagar a luz que brilha em nossos corações.
II
Ó Deus, tu que vês o íntimo de cada ser, não olhes para mim apenas com os olhos da culpa, pois sou humano e falho. Mas olhe para mim com a misericórdia que tu, em tua infinita sabedoria, derramas sobre todos os corações aflitos. Não peço que removas o peso da vida, mas que, em meio a ele, eu possa encontrar a força para não ceder, para não me render ao desespero. Pois, quando os que me cercam se alimentam da mentira, tentando convencer os outros de que a verdade é uma ilusão, é em ti que encontro a certeza do que é real.
III
Quando eles rosnarem e ameaçarem com suas palavras afiadas, como cães famintos que rodeiam a cidade, sei que tu, ó Senhor, não serás silenciado. Tu que és o único capaz de ver além das máscaras que usamos para ocultar nossas fraquezas, sabes que em meu coração não há espaço para o mal, mas para o desejo sincero de viver em paz. E se eles, em sua cegueira, insistem em difamar a bondade, em transformar a verdade em um campo de batalha, que, ao menos, saibam que, mesmo em sua fúria, são incapazes de apagar a luz que brilha dentro de mim. Essa luz, que vem de ti, é indestrutível.
IV
Eu não temo a fúria de seus ataques, nem as mentiras que tentam propagar. Pois a minha confiança não se baseia na força dos meus inimigos, mas na força da verdade que emana de ti. Eles podem tentar silenciar a minha voz, mas tu, ó Senhor, serás o meu eco. E quando eles se afastarem, cansados e sem forças, será o teu nome que se ouvirá nas ruas, como um canto de vitória que não precisa de armas para ser ouvido.
V
Que eles, em sua arrogância, possam um dia compreender que a verdadeira força não reside no poder de destruir, mas na capacidade de construir, de curar as feridas que o mal inflige, de espalhar luz onde há trevas. E, enquanto eles vagam em busca de reconhecimento, em busca de um poder que nunca será eterno, que a minha alma encontre, em tua misericórdia, a paz que transcende todo entendimento. Pois tu, ó Senhor, és a rocha onde minha fé repousa, e em ti, jamais sucumbirei.
VI
No fim de tudo, quando as vozes dos injustos se apagarem e o mundo finalmente se acalmar, o meu coração, em gratidão, cantará a tua glória. Porque em tua graça, mesmo nas horas mais sombrias, encontrei a luz que nunca se apaga. E que, ao olhar para o céu, eu possa ver o reflexo da tua bondade, a promessa de um novo amanhecer onde a paz será a verdadeira herança para todos os que buscam a verdade em seus corações.
(Betto Gasparetto – xi/xix)
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