(Betto Gasparetto)
Incisão IX. A Redenção Negada

By Dall-E 3
I
Busquei no céu um vislumbre de perdão,
Na esperança de que o amor me acolhesse.
Mas, oh, que engano cruel da ilusão,
Pois tua sombra em meu caminho aparece.
*
Estendi as mãos ao vazio etéreo,
Implorando às estrelas um novo destino.
Mas o firmamento, em silêncio c,
Negou-me a luz e meu clamor divino.
*
Que é a redenção senão promessa falsa,
Doce miragem em deserto de dor?
O coração, que por ela se descalça,
Encontra espinhos onde esperava o amor.
II
E você, ó rosto de beleza inclemente,
Por que permanece em meu pensamento?
Por que te negas, com ar tão clemente,
A libertar-me deste amargo tormento?
*
Teu nome, gravado em minha memória,
É ferida aberta que o tempo não cura.
Cada sílaba tua narra a história
De um amor que vive em amarga tortura.
*
Ah, se você quiser apagar seu reflexo,
Rasgar do peito sua imagem sombria.
Mas teu fantasma, como um eco complexo,
Habita meus dias e noites em agonia.
III
A redenção, que em sonhos buscados,
É agora um véu que o destino desfez.
Pois no amor que te dei e nunca cobrei,
Encontro o peso de tua cruel altivez.
*
Se ao menos o ódio pudesse apagar
As marcas que teu amor deixou em mim,
Mas em cada tentativa de te odiar,
Teu nome renasce, qual flor no jardim.
*
E assim, navego entre mágoas e esperanças,
Num mar revolto que jamais se acalma.
Pois mesmo negado pela redenção que cansas,
Teu amor vive gravado em minha alma.
IV
Que seja, então, minha pena e meu fardo,
Carregar-te em memória sem tréguas além dos passos.
Pois mesmo na dor de um amor maltratado,
É tanto minha ruína quanto me perder em outros braços.
(Betto Gasparetto – ix/xcviii)



