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10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (04/10)

Posted in Sem categoria on 3 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão IV. A Cicatriz da Promessa Quebrada

By Dall-E 3

I
Óh palavra, proferida em juras santas,
Ecoastes em mim como um cântico eterno.
Mas hoje são notas fugazes e tantas,
Cindidas em prantos, moldadas no inverno.
*
“Amar-te-ei até que o tempo desista,”
Juraste com lábios de mel embebidos.
Mas tua promessa, tão bela e malvista,
É hoje um punhal entre os meus sentidos.
*
Que são os juras senão frágeis correntes,
Que, ao menor toque do vento, se partem?
Se a fé se desfaz entre dedos doloridos,
Que resta do amor senão chamas que ardem?
II
Ah, quantas vezes em noites sombrias,
Revivi teu sussurrar, doce engano.
Mas oh, quão rudes tornaram-se os dias
Que ao amor traído tecem seu pano!
*
Teu nome é agora ferida latente,
Gravado a ferro em minh’alma partida.
E a promessa que outra era reluzente
Hoje é cicatriz de uma dor incontida.
*
Como ousaste, ó traidora sublime,
Erguer castelos de sonhos em vão?
Se ao menor tremor o encanto se exprime
E as torres desabam sobre o coração.
III
Oh, juramento, tão doce e perverso,
Foste a luz que guiou minha desventura.
Tua quebra é o verso do amor submerso,
O laço rompido da dor mais impura.
*
E, no entanto, mesmo em tua perfeição,
Eu busco na sombra vestígios do brilho.
Pois na dor, o amor é tênue delírio,
Um cântico eterno em tortuoso exílio.
*
Por que a promessa não é verdade?
Por que o amor não resistiu ao abismo?
Hoje sou náufrago da tua falsidade,
Perdido no mar do meu próprio otimismo.
IV
Que restou, então, a cicatrizante pungente,
Memória cruel de um amor que encontrou.
Pois mesmo partida, a alma ainda sente
Que a dor, no fim, o amor superou.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (03/10)

Posted in Sem categoria on 3 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão III. O Beijo Acorrentado da Serpente

By Dall-E 3

I
Teus lábios, ó cálice de doce agrura,
São abismos onde me lanço cativo.
Neles busquei a redenção futura,
Mas encontrei o toque corrosivo.
*
Oh, veneno suave, em seda envolto,
Que a língua destila com sutil fervor!
Tu, que com beijo me eleva ao alto,
Depois me derruba em dor sem vigor.
*
Como serpente oculta entre as flores,
Teu beijo é promessa de breve rompimento,
Mas atrás consigo os mais negros horrores,
Um juramento que se faz cativo.
II
O que é o amor senão tormento disfarçado?
Que em lábios tão doces seu flagelo guarda?
Teu toque, que julguei ser abençoado,
É lâmina fria que a carne retarda.
*
Ó, beijo infame que me fez tremer,
Na esperança de um êxtase divino,
Transformaste o prazer em rude morrer,
E a glória em cinzas de um triste destino.
*
Que dualidade habita em sua boca?
Pois nela reside tanto o céu quanto o inferno.
Por um momento, a paixão me sufoca;
No seguinte, é o gelo do inverno.
III
E eu, escravo de tão cruel ternura,
Não posso fugir, nem desejo escapar.
Pois mesmo ferido, busco a loucura
De em teus lábios eternamente estar.
*
Por que, ó deusa de insana beleza,
Trouxeste em teus beijos o fel da traição?
Transformaste em sombras minha certeza,
Deixaste em ruínas meu pobre coração.
*
Mas mesmo assim, entre dor e delírio,
Teu beijo é prisão que escolho abraçar.
Pois o amor, mesmo na dor in vítreo,
É chama que insiste em jamais se apagar.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (02/10)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão II. A Sedução do Olhar Ardente

By Dall-E 3

I
Por entre véus de sombra e luz difusa,
Teus olhos, como sóis de negra chama,
Rasgavam minha paz, que ora se acusa,
E acendiam no peito de quem ama…
*
Ó farol de trevas, guia traiçoeiro,
Que ilumina a senda do meu labirinto!
Teu olhar, qual espelho falso e inteiro,
Revela-me o céu e o inferno indistinto.
*
Mas que dizer da curva de teus escolhidos,
Arcos que flecharam minha alma vendeta?
Por eles, abandono os próprios exílios
E mergulho em sua dor, tão dividida.
II
Tu me enredaste em promessa vazia,
De sonhos dourados e nuvens febris.
E eu, tolo amante, na falsa alegria,
Entreguei-me ao abismo de encantos sutis.
*
Como pode a luz que em teus olhos mora
Ser doce canto e também amarga prece?
Se em meu peito inflama e depois devora,
É vitória fugaz que à maldição se tece.
*
Que feitiço, ó dama, teu olhar derrama?
Pois mesmo ao odiar-te, sinto o desejo.
É chama gelada que o espírito inflama,
É o veneno que anseio num beijo.
III
E eu, cativo, sob o teu jugo ardente,
Suspiro na treva que tua luz traz.
Pois o amor, que no ódio é seu nascente,
Tem em teu brilho seu campo voraz.
*
Ó olhos que amei, ó luz que perdi,
Por que são centelhas de tão cruel dor?
Na tua presença, a vida parti;
Na tua ausência, é cinza o amor.
*
Que venha, pois, o destino inclemente,
Se tua visão há de ser meu flagelo.
Pois antes teu brilho, embora pungente,
Que a eterna sombra de um mundo singelo.

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

10 poemas sobre “A Navalha Tem Dois Lados: O Amor e o Ódio” (01/10)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Incisão I. Prólogo ao Coração Dilacerado

By Dall-E 3

I
Oh, noite escura, que a minh’alma invade,
Trazei-me a lira de um canto em agonia;
Pois neste peito, em eterna tempestade,
Ecoa um grito de paixão e heresia.
***
Por que, ó vida, em teus domínios vastos,
Se embebe o coração em duplo tormento?
Por que, nos olhos dela, sonhos gastos
Enlaçam-me entre amor e abatimento?
***
Sentir, ó dádiva cruel e infinda,
É carregar no ânus um peso imenso.
Doce veneno, tua trama deslinda
Um laço que é ao mesmo tempo intenso.
II
Tu, que me olhas com a face de um anjo,
Tens em teus lábios o néctar divino.
Mas sob teu beijo se esconde o estranho,
O abismo oculto que o ódio destina.
***
O coração, em sua fibra partida,
Oscila entre o amor e o ódio mortal.
Num instante, é vela por você consumido;
Noutro, é pedra de um rancor abissal.
****
Teu vulto dança em minha mente insana,
Ora tão pura, ora vil traição.
É chama etérea que o peito profano,
É gelo e fogo num só coração.
III
Ah, pranto escuro, que dos olhos verdes,
Derrama em chamas a dor que persiste.
Amor e ódio, num enlace que inerte
Me prende à sina de uma paixão triste.
***
Na vastidão onde a alma se deita,
Revejo teu rosto, cruel e perfeito.
E mesmo que o ódio em minha dor se estreita,
É teu amor que carrega em meu peito.
***
Qual é a essência que você me conduz?
É flor que embriaga e depois assassina.
Teu nome, um eco sob a sombra da luz,
É minha ruína e também minha sina.
***
Neste proêmio, ergo as palavras ao vento,
E clamo às estrelas, em vão, meu sofrer.
Por que, ó destino, neste firmamento,
Fizeste do amor tão difícil viver?

(Betto Gasparetto – ix/xcviii)

14 MONÓLOGOS DO PEREGRINO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS (14/14)

Posted in Sem categoria on 2 de janeiro de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Átrio 14 – O Voto dos Banguelas no País das Dentaduras

By Dall-E 3

I
Ah, o voto dos banguelas, esse espetáculo ridículo,
Onde os lábios, vazios e partidos, proferem palavras vazias,
E as promessas se dispersam, como ossos quebrados,
Nas bocas que jamais puderam saborear a verdade!
Que glória pode haver em tal voto,
Quando a própria dignidade se esvai na sujeira da submissão?
Os banguelas, ah, os banguelas, são reis sem coroa,
Que, na sua falta de dentes, falam de um poder que nunca entenderam,
E, sem saberem, entregam suas almas aos mestres da mentira,
Que se alimentam da carcaça de suas esperanças vazios.
II
(…)
III
Vós, que ergueis as mãos, pálidas e frágeis,
Como se o seu voto fosse mais do que um sopro no vento,
Que efeito pode ter a palavra de quem nada tem a oferecer
Além de um gesto desesperado por atenção?
O voto dos banguelas não passa de uma ilusão,
Uma cortina de fumaça erguida por aqueles que sabem
Que, ao final, o voto não é senão um teatro encenado,
Onde todos participam, mas poucos têm a voz para decidir.
Ah, que ironia, que o cinismo existe em vossas bocas cerradas,
A cantar hinos de liberdade, enquanto são silenciadas pela indiferença!
IV
Mas, oh, como é belo o voto da ignorância!
Ele se faz ouvir, mas ninguém o escuta,
E é dado como se fosse um pedaço de pão
Distribuído aos famintos, mas jamais alimentando a alma.
Esses banguelas, reis de um reino de mentiras,
E governantes de um império sem sentido,
Caminham sobre um solo que não pode sustentar seus passos,
E celebram, na sua cegueira, o que não entende.
Pois seu voto, sem dentes e sem substância,
É apenas uma expressão de sua submissão,
E o único poder que possui é o de se enganar.
V
Ah, mas o que restará de tudo isso,
Quando a verdade finalmente romper a cortina da ilusão?
VI
Vossos votos, que pensam tão poderosos,
Serão tão vazios quanto as bocas que os proferiram,
E, ao fim, o que será de vocês,
Quando perceberdes que o voto não é mais que uma mentira
Que se alimenta da frustração e da desesperança?
VII
Ah, o voto dos banguelas,
É a risada final de um sistema falido,
Onde, no fundo, todos somos mais vítimas
Do que verdadeiros agentes de nossa própria libertação.

(Betto Gasparetto- xi/xcvi)