(Betto Gasparetto)
Átrio 8 – O Amor em Pontes Distantes

By Dall-E 3
I
Oh, que ironia cruel é o amor,
Quando se torna apenas mais um pedágio,
Cobrado a cada passo, a cada suspiro,
E a alma, em sua pureza, é arrancada sem piedade!
Não se pode mais amar sem pagar o preço,
E, para atravessar o caminho do coração,
É preciso entregar-se à estrada dos sacrifícios,
Onde o amor é cobrado, e o custo é imenso.
II
Você, que diz que o amor era gratuito,
Que seu coração era um refúgio sem taxas,
Onde está agora a sua engenhosidade?
O amor, que outrara florescia com facilidade,
Agora exige moedas, promessas e dores,
E, ao final, mesmo a mais pura das almas
III
(…)
IV
Será roubada, despojada de sua inocência,
Em troca de um toque, de um beijo, de um olhar,
E, ao chegar ao fim da estrada, não encontrará descanso,
mas apenas mais um pedágio, mais uma exigência.
V
Ah, como vocês vos enganam ao pensar que o amor
Era um rio que fluía livre, sem barreiras,
Quando, na verdade, é um rio de correntezas fortes,
Onde cada desejo, cada suspiro, é cobrado com juros.
VI
O que é o amor senão uma balança injusta,
Onde a mão pesada da expectativa
Sempre cobra mais do que a alma está disposta a pagar?
E vós, que andais por esse caminho tortuoso,
Acho que encontrareis a paz na chegada,
Deveis saber que a viagem nunca acaba,
E o preço do amor nunca é o mesmo,
Pois, ao final, não restará mais que cansaço,
E o vazio de um coração que não pode mais ser preenchido.
VII
E, o que é pior, meus caros,
É que ao longo desse caminho,
Quando olharmos para trás, veremos que nada fizemos
Além de pagar pedágio após pedágio,
Sem nunca encontrarmos o que procurávamos.
O amor não é mais o campo verdejante,
Mas um labirinto de moedas e promessas quebradas,
Onde, ao final, não há mais o que oferecer,
Pois tudo foi pago, tudo foi dado,
E o que resta é apenas a dúvida amarga,
De que, talvez, o preço de amar
Seja, afinal, mais do que alguém possa suportar.
(Betto Gasparetto- xi/xcvi)