(Betto Gasparetto)
Cântico nr. 12. O Beijo do Oriente

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
Nas dunas, as sombras se estendem como véus,
E teu perfume dança entre os cedros altivos.
Teus lábios são mel das colinas de Basã,
E teu toque é a brisa que embala os palmeirais.
Que os rios que descem dos montes de Hermom
Levem consigo a doçura do teu olhar.
Que as tâmaras que crescem à tua sombra
Sejam a prova da abundância de tua ternura.
Ó amada, que a noite nos envolva,
E que em tua pele repouso encontre.
Que os astros testemunhem nossa entrega,
E que tua presença seja minha eternidade.
A areia do deserto escreve teu nome,
E cada estrela brilha em tua homenagem.
És o lume que guia os navegantes,
E o cântico suave que acalma os corações.
Deita-te entre os ramos dos olivais,
E deixa que o vento sopre nossos segredos.
Que o orvalho beije teus olhos fechados,
E que teu suspiro seja a sinfonia da noite.
Ó mulher de mirra e açafrão,
Tua presença perfuma os vales distantes.
Que meu coração seja teu abrigo,
E teu amor, o alvorecer que não se apaga.
Nos campos de trigo onde repousa a alvorada,
Os ventos murmuram canções de tua beleza.
Que eu me perca nos traços de tua pele,
E que tua sombra seja minha paz.
Se a lua se esconde nas névoas da noite,
Que teus olhos sejam meu norte e guia.
E se as dunas apagarem os rastros do dia,
Que teu amor me encontre na aurora.
Ó amada, és o beijo do Oriente,
E em tua presença meu destino se cumpre.
Que os séculos gravem tua imagem nas areias,
E que os céus cantem tua glória sem fim.
Os ventos do Levante trazem tua voz,
E o sol se põe sobre teus cabelos dourados.
Ó amada, és o último raio da tarde,
E o primeiro sussurro da noite infinita.
(Betto Gasparetto – vi/xx)



