Arquivo para fevereiro, 2025

VÍTIMAS DE UM AMOR DILACERADO (O OUTRO LADO DO ESPELHO) (7/7)

Posted in Sem categoria on 20 de fevereiro de 2025 by Prof Gasparetto

 (Betto Gasparetto)

Lamento nº 7. A Última Estação das Laranjas de Jericó

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Sei que nunca mais ouvirei tua voz,
Nem verei teus olhos nas sombras da estrada,
Mas os laranjais de Jericó florescem,
Como se o tempo nada levasse, nada mudasse.

As águas do Jordão beijam as margens,
E os ventos perfumam as trilhas de areia,
Mas o perfume da hena, outrora tão doce,
Hoje é um sussurro de amarga cadeia.

As tâmaras ainda pendem dos ramos,
E as oliveiras dançam ao som da brisa,
Mas o que adianta tanta beleza,
Se minha alma apenas agoniza?

Se um dia sentires na pele o vento da noite,
E nas ruas de Amã te detiveres a olhar,
Saberás que entre as frutas e flores do Líbano,
Meu amor por ti nunca deixará de respirar.

(Betto Gasparetto – vi/xvii)

VÍTIMAS DE UM AMOR DILACERADO (O OUTRO LADO DO ESPELHO) (6/7)

Posted in Sem categoria on 20 de fevereiro de 2025 by Prof Gasparetto

 (Betto Gasparetto)

Lamento nº 6. Promessas Afogadas no Golfo de Ácaba

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Prometemos jamais ser levados pelo tempo,
Mas o vento das dunas desfez o que fomos,
E agora, entre os palmeirais esquecidos,
Apenas o eco responde aos meus sonhos.

Os jasmins abrem suas pétalas ao entardecer,
As tâmaras caem maduras sobre a terra,
Mas onde estás tu, que outrora em meus braços,
Prometeste um amor que o tempo encerra?

Os rios correm, sem nunca voltar,
E as videiras se enroscam em pedras gastas,
Mas em cada romã que se parte ao chão,
Vejo as lembranças de nossas jornadas.

Se um dia teus pés tocarem a areia de Ácaba,
E teus lábios sentirem o mel das manhãs,
Saberás que em cada perfume que paira,
Ainda resta um vestígio do que fomos nós.

(Betto Gasparetto – vi/xvii)

VÍTIMAS DE UM AMOR DILACERADO (O OUTRO LADO DO ESPELHO) (5/7)

Posted in Sem categoria on 20 de fevereiro de 2025 by Prof Gasparetto

 (Betto Gasparetto)

Lamento nº 5. Lágrimas de Bálsamo nas Noites de Sidon

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Deixei meu pranto misturar-se ao bálsamo,
Que os ventos de Sidon espalham ao luar,
Mas nem a mirra que dorme nos campos,
Poderia meu peito acalmar.

Os laranjais ainda florescem ao longe,
E os figos amadurecem sob o sol ardente,
Mas onde estás tu, cuja ausência fere,
Mais do que o tempo, mais do que a mente?

Açafrão e rosas ainda perfumam os vales,
E o cedro se ergue sem ceder ao vento,
Mas o amor, que um dia foi nosso alento,
Agora é sombra de um doce tormento.

Se ao menos teus olhos me buscassem na aurora,
Se teus dedos tocassem as folhas do mar,
Saberias que em cada suspiro do Oriente,
Minha alma, em silêncio, ainda te quer lembrar.

(Betto Gasparetto – vi/xvii)

VÍTIMAS DE UM AMOR DILACERADO (O OUTRO LADO DO ESPELHO) (4/7)

Posted in Sem categoria on 20 de fevereiro de 2025 by Prof Gasparetto

 (Betto Gasparetto)

Lamento nº 4. Romãs Partidas Sob a Lua de Tiro

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Sob a lua de Tiro, onde as ondas sussurram,
Caminhei entre romãs partidas ao chão,
E em cada grão rubro que a noite banhava,
Vi o reflexo da nossa ilusão.

Os cedros inclinavam-se em preces ao vento,
As uvas pendiam, pesadas de dor,
Mas nos mercados de Beirute e Sidon,
Só encontrei cinzas do nosso amor.

A brisa do Levante trazia lembranças,
O perfume das videiras embriagava o cais,
Mas nenhuma carícia dos ventos do Oriente,
Poderia refazer o que partiu para trás.

Se um dia teus olhos encontrarem os meus,
Entre açucenas que brotam sem pressa,
Saberás que no brilho da lua de Tiro,
Ainda me prendo à dor que me resta.

(Betto Gasparetto – vi/xvii)

VÍTIMAS DE UM AMOR DILACERADO (O OUTRO LADO DO ESPELHO) (3/7)

Posted in Sem categoria on 20 de fevereiro de 2025 by Prof Gasparetto

 (Betto Gasparetto)

Lamento nº 3. Vestígios de Amor nas Ruínas de Cartago

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Nos arcos partidos das ruínas de Cartago,
Onde a história se dobra ao peso do tempo,
Teu nome ainda ecoa nas colinas,
Como prece perdida ao vento.

Os mercadores de mirra falavam de amores,
Mas nenhum sabia do nosso adeus,
E entre figueiras retorcidas de dor,
Ainda ressoam os sussurros teus.

Os rios secaram, os jasmins tombaram,
E as tâmaras murcham sem teu calor,
Mas nos portos de Gaza, onde o mar repousa,
O sal das águas ainda guarda meu ardor.

Se um dia teus pés pisarem as terras de Ascalão,
E teus olhos fitarem o horizonte sem fim,
Saberás que entre o tempo e as ruínas,
Ainda te espero dentro de mim.

(Betto Gasparetto – vi/xvii)