ALÉM DA ILHAS, O HOMEM INVENTOU O CAOS! (04/17)

(Betto Gasparetto)

Exílio nr. 4 – O Grito da Terra

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

A água que descia das montanhas serenas,
Agora se esvai, sem mais força ou direção.
O homem, que antes respeitava as linhas amenas,
Agora destrói com suas mãos o que restou da criação.

O pecado floresce, mas a terra morre aos poucos,
Em cada rua, o desejo é mais forte que a razão.
O amor, que outrora nutria os corações loucos,
Agora se dissolve na busca pela ilusão.

O sertão, que se via fértil e cheio de promessas,
Agora é um deserto de esperanças perdidas.
O homem busca sua glória em portas de ouro,
Enquanto as aldeias murcham, suas almas esquecidas.

Águas que antes nutriam o campo e a aldeia,
Hoje se transformam em rios de seca e dor.
O homem, imerso na ganância que trabalha e que despeja,
Ignora o grito da terra, que implora por amor.

O amor que um dia era força, agora é espólio,
Vendido a peso de ouro, como algo sem valor.
As flores, que no campo floresciam com o sol,
Agora secam na sombra da indiferença e do pavor.

A terra chora, mas seus rios estão mudos,
As montanhas, antes testemunhas da vida, já não ouvem.
O homem, em sua fúria, destrói o que foi um dia,
E a essência da criação, aos poucos, morre e não revive.

O pecado, em seu apetite insaciável, consome,
O amor é uma memória, um eco distante.
E a terra, com seu último suspiro, se abandona,
Enquanto o homem se perde na busca do instante.

O grito da terra é um clamor que ninguém ouve,
Enquanto o ouro brilha e a verdade se esconde.
A água, que um dia fez crescer as plantas e os sonhos,
Agora é só uma lembrança que o tempo, cruel, responde.

(Betto Gasparetto – iii-vi/mcmlxxxiii)

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