PORQUE OS VENTOS SOPRAM MAIS FORTE, FICAMOS CALADOS NO TEMPO! – 07/12
(Betto Gasparetto)
Euphoria nr. VI – PÉTALAS AO VENTO – A Inquietude

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
O dia já não guarda mais os segredos da noite, e, na quietude da manhã, a jovem se encontra diante do horizonte, onde o azul do céu parece se fundir com a linha tênue do futuro. O vento, que antes se movia suavemente, agora parece mais presente, com um toque de urgência, como se pedisse para que ela finalmente tomasse seu lugar no mundo. As pétalas que caíram durante a noite, agora secas e amareladas, estão espalhadas pelo chão, criando um tapete de lembranças, uma dança mútua de despedidas e recomeços.

Ela observa, de pé, o espaço ao seu redor, uma sala que já não a pertence. O salão nobre, as luzes apagadas, as flores secas, todos esses objetos que antes carregavam um peso simbólico, agora parecem insignificantes diante da imensidão do que ela sente. Não mais presa àquilo que a definia, ela respira fundo, permitindo que o vento a envolva com sua brisa fresca. O perfume das flores secas mistura-se com a suavidade da brisa, e a jovem sente, no fundo de sua alma, a certeza de que algo mudou, que o ciclo está completo e que, finalmente, ela está pronta para seguir em frente.

As pétalas, que antes estavam dispersas pelo chão, agora parecem ganhar vida própria, como se o vento as estivesse conduzindo para longe, para um novo destino. Mas, para ela, essas pétalas representam mais do que simples vestígios de flores murchas. Elas são símbolos de tudo o que passou, de todos os momentos que a trouxeram até ali, e, embora estejam se dissipando, elas fazem parte de quem ela se tornou. Assim como o vento leva as pétalas, o tempo leva as memórias, mas nunca apaga o que ficou guardado no coração.

Ela olha mais uma vez para o salão nobre, agora vazio, sem as luzes que antes cintilavam em memória de algo perdido. O que resta ali não são mais as lembranças, mas a liberação delas. O salão nobre, que foi símbolo de devoção, agora é apenas uma madeira desgastada, uma metáfora para a própria transformação. Ela sorri suavemente, sentindo, de repente, uma leveza que nunca conheceu. O vento, agora, já não a arrasta. Ele a envolve com suavidade, como um abraço de liberdade.

Caminha até a janela, seus passos leves, como se o peso das dúvidas e das indecisões tivesse se dissipado. O vento, que entra pela fresta, sussurra segredos que só ele conhece. Ela fecha os olhos por um momento, permitindo-se ser tocada pela brisa. Não há mais receio, não há mais medo. O mundo ao seu redor, com suas pétalas dispersas e sua luz suave, parece ser um convite para a vida que está prestes a começar. E ela sente, no fundo de seu ser, que a jornada, por mais incerta que seja, agora é sua para seguir.

Lá fora, o vento ainda dança entre as árvores, levando consigo o que resta da estação passada, mas também trazendo consigo as sementes de algo novo, algo que ela agora está pronta para viver. As pétalas ao vento não são mais um símbolo de perda, mas de renovação. E, ao caminhar pela porta, a jovem se despede de um capítulo e abraça o próximo, sabendo que, assim como as pétalas que dançam ao vento, ela também encontrará seu caminho, uma trajetória que será moldada pela suavidade do vento e pela força daquilo que ela carrega dentro de si.

E enquanto o vento a guia, ela sabe que, finalmente, o ciclo de sua transformação se completa, como as pétalas que, ao se desprenderem da flor, se tornam parte de algo maior, algo infinito. Ela sorri, pois já não há mais arrependimentos. Só há o agora. Só há o vento, as pétalas e o futuro que se desdobra diante dela, convidando-a a se perder, para então se encontrar.
(Betto Gasparetto – viii/xviii)
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