(Betto Gasparetto)
Euphoria nr. VII – PÉTALAS AO VENTO – A Plenitude

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
O céu, agora tingido de um azul profundo, guarda a promessa de um novo capítulo, e a jovem, em silêncio, sente a suavidade do vento sobre sua pele, como se cada sopro lhe dissesse algo que ela, até então, não havia entendido.

O campo à sua frente, vasto e aberto, não tem limites visíveis; ele se estende até onde os olhos podem alcançar, mas ela não teme a imensidão, não se perde na vastidão do desconhecido. Algo dentro dela, mais forte que o medo, lhe dá coragem. O vento que a acompanhava na sala, carregando as pétalas dispersas, agora se transforma em uma força que a impulsiona, como se o universo inteiro estivesse lhe dizendo: “É hora de seguir.”

As pétalas que caíram ao chão, agora transformadas em fragmentos de uma história que ela já não precisa mais carregar, são como o reflexo de algo que se foi. Não são mais símbolos de perda, mas de transformação. Ela percebe que, assim como o vento leva as pétalas, ela também precisa deixar o que não mais serve para trás, para dar espaço ao que ainda está por vir. O passado, com todas as suas lembranças, já não a define. A jovem, com seu coração sereno, agora se sabe como um ser renovado, pronto para deixar o mundo se abrir à sua frente.

Ela avança pelo campo, os pés tocando a terra que, sob seus passos, parece vibrar com a promessa de um recomeço. As pétalas, em seu movimento gentil pelo vento, parecem se dispersar por todo o caminho que ela percorre. Cada uma delas, ao ser levada pelo ar, é como uma página virada, uma lembrança que se solta sem pesar.

Elas caem e se perdem, mas ao mesmo tempo, fazem parte do que se segue, assim como as experiências de vida, que, embora dolorosas, tornam-se parte da jornada. Ela compreende que, ao seguir em frente, ela também leva consigo a beleza de tudo o que foi, transformado pela suavidade do vento.

À medida que o vento ganha força, ela sente a liberdade que ele traz, uma liberdade que nunca soubera que existia dentro dela. O vento que, por tanto tempo, foi apenas uma presença ao seu redor, agora é uma força que a chama, que a orienta. Ele, como o tempo, não pode ser contido. Ela sente que não há mais nada que a prenda àquela sala, nem àquele lugar onde o passado se diluía, à medida que ela se libertava da dor e das saudades. O vento agora a carrega para um futuro que, embora incerto, é também infinitamente promissor.

Ao longe, uma árvore solitária, com suas folhas que tremem ao toque do vento, se destaca contra o horizonte. Ela se aproxima dessa árvore, cujos galhos se erguem firmes, sem se dobrar ao peso das estações. Há algo de imutável na sua força, algo que ressoa no coração da jovem.

Ela se aproxima, tocando o tronco com a ponta dos dedos, como se tocasse sua própria alma, percebendo que a força que ela tanto buscava não está fora dela, mas em seu interior. O vento, que ainda sobrevinha entre as folhas, parece celebrar sua chegada, como se a saudade de tudo o que foi tivesse, finalmente, se transformado na alegria do que agora é.

E assim, ela se senta sob a árvore, suas mãos tocando as pétalas caídas ao seu redor, agora suaves e leves, como as memórias que ela deixou para trás. O vento, que nunca para, ainda dança ao seu redor, como uma promessa, como uma lembrança de que a vida continua, sempre em movimento, sempre em transformação. Ela fecha os olhos, permitindo-se ser envolvida pela brisa, ouvindo o murmúrio suave das folhas, como uma canção que lhe diz: “Você já não é mais a mesma. O vento levou aquilo que não podia mais ser. Agora, você é nova, você é livre.”

E, ao abrir os olhos, ela vê diante de si o caminho, ainda invisível, mas repleto de possibilidades. As pétalas caídas agora não são mais vestígios de um amor perdido, mas sinais de algo que se renovou. O vento, que a guiou até ali, agora se torna a força que a conduz para o futuro, para o desconhecido, para a vida que está prestes a começar.

Ela sorri, sem receio, pois sabe que as pétalas, assim como os momentos, sempre se perderão ao vento. Mas, em sua jornada, elas deixarão um rastro de beleza, um rastro de vida. E a jovem, agora com o coração leve, se permite ser levada, sem mais hesitações, pois o futuro, como o vento, já a espera.
(Betto Gasparetto – viii/xviii)