A Linguagem do Amor (in) Fluente
Brenda G. G.

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
Eu costumava sonhar acordada, perdida no anseio,
De entrelaçar os dedos nos teus,
Enquanto o eco de um riso vazio dançava pela sala deserta,
Onde nossa essência contemplava o silêncio.

Eu costumava contar as horas,
Os minutos, como se fossem o bálsamo
Que aliviariam minha espera,
E o calor do teu toque fosse o único abrigo,
A única casa que eu desejava habitar.

Eu costumava sentir o arrepio da promessa,
No tom leve, como quem diz: “Vou te ver”,
E o coração descompassado,
Como se, ao pronunciar essas palavras,
O tempo se curvasse, se dobrasse,
E eu tivesse, enfim, o teu olhar como abrigo.

Eu costumava vislumbrar o que seria
Ter meu coração preenchido de afeto,
Transbordando, inebriado pela paixão.
E cada gesto, cada sorriso, cada instante,
Eu sentia como se fosse fluente na linguagem do amor.

Mas me vi náufraga, perdida no raso do teu interesse,
No olhar vago que se desfazia na parede,
Enquanto eu me afundava nas águas turvas,
Onde o que restava de nós era um espelho embaçado.

Agora, fico a olhar, insensível, o copo
Deixado na cabeceira da cama,
Morno, vazio, uma representação do eu …(?)

No escuro do quarto, reina tua presença que se tornou eco, um suspiro fraco,
Balbuciando nossa antiga canção,
Agora já sem vida,
Sem a mesma vibração de antes.

Brenda G. G. (x.iii.xxv)
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