PORQUE OS VENTOS SOPRAM MAIS FORTE, FICAMOS CALADOS NO TEMPO! – 09/12
(Betto Gasparetto)
Euphoria nr.VIII – PÉTALAS AO VENTO – A Atitude

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
A noite já se estendia sobre o campo, envolta em uma calma profunda, onde o som do vento parecia se tornar uma melodia suave, como se a própria terra respirasse em harmonia com o universo. A jovem, ainda sob a árvore, sentia a presença do vento mais intensa do que nunca. Ele vinha de todos os lados, acariciando sua pele com a mesma ternura com que os sussurros das estrelas tocam o silêncio da noite. As pétalas que haviam caído ao seu redor agora se misturavam à terra, transformando-se em uma parte do que se passava à sua volta, como se cada fragmento carregasse em si um pedaço da alma do mundo.

Ela se levantou lentamente, seus pés tocando a terra com suavidade, como se temesse perturbar o equilíbrio da noite. O vento parecia levá-la em direção ao desconhecido, mas a jovem já não temia mais o futuro. O que antes era incerto, agora se revelava como um convite, uma oportunidade de reescrever sua história, de deixar para trás tudo o que havia sido. O caminho à sua frente, ainda em sombras, era promissor, e ela sabia que as pétalas ao vento não eram sinais de perda, mas de renovação.

Os galhos da árvore, ainda balançando suavemente sob a influência do vento, pareciam sussurrar palavras que ela não entendia completamente, mas que sentia profundamente. Era uma voz da natureza, uma voz que a chamava para seguir, para caminhar mais longe, mais adiante, onde as fronteiras entre o passado e o futuro se dissolviam. Ela não sabia exatamente para onde o vento a levaria, mas sabia que, ao segui-lo, ela estava finalmente encontrando o lugar onde pertencia, onde seu coração poderia finalmente repousar em paz.

As pétalas que continuavam a ser levadas pelo vento ao seu redor formavam uma trilha invisível, uma marca do seu caminho, mas também uma promessa de que nada se perde realmente. O que se dissolve nas correntes do tempo, como as pétalas ao vento, sempre encontra seu lugar na imensidão do mundo. E, como elas, ela também encontraria seu lugar – talvez não agora, talvez não hoje, mas sabia que o movimento do vento sempre traria algo de novo, sempre renovaria as possibilidades. O que parecia ser uma despedida era, na verdade, apenas um ciclo, o qual ela, agora, compreendia com clareza.

Enquanto caminhava, seus olhos se voltaram para o céu, onde a lua começava a surgir, tímida, como um reflexo da juventude que ainda vivia dentro dela. A luz suave da lua refletia sobre as pétalas que restavam espalhadas pelo campo, dando-lhes um brilho etéreo, como se cada uma delas fosse um pedaço de algo mais grandioso. E, naquele momento, ela compreendeu que, embora as pétalas caídas fossem frágeis e efêmeras, elas ainda carregavam consigo a beleza de uma flor que havia vivido, que havia existido plenamente. Assim como ela. E assim como o vento, que a guiava.

O campo, agora banhado pela luz suave da lua, parecia ser uma tela em branco, esperando para ser preenchida com novos passos, novas histórias. A jovem não se apressava. Ela sabia que não precisava. O vento, como sempre, a conduzia com paciência e suavidade, e ela se permitia seguir, sem pressa, sem pressentimentos, apenas com a certeza de que cada passo a aproximava daquilo que ela realmente era.

As pétalas, agora dispersas por todo o campo, dançavam ao ritmo do vento, e ela, com um sorriso sereno, entendeu finalmente que não era o fim o que elas representavam, mas o recomeço. O vento, que tomava o rumo do desconhecido, era o mesmo que a convidava a ir mais longe, mais alto, sem medo de perder-se no caminho. Pois, como as pétalas, ela sabia que o movimento da vida é eterno, e que, ao soltar o que estava em suas mãos, ela também estava se tornando parte de algo maior, algo que transcendia a compreensão humana.

A jovem, agora mais tranquila, mais confiante, deixou-se ser levada, sabendo que o vento, com sua força invisível, sempre encontraria seu caminho para ela. O campo, as estrelas, as pétalas – tudo ao seu redor agora parecia em perfeita harmonia, como se a vida, com todas as suas intermitências, fosse uma dança constante, uma dança entre o que se vai e o que vem, entre o que morre e o que nasce. E, finalmente, ela se deu conta de que era parte dessa dança. Uma dança que nunca termina, onde as pétalas continuam a voar ao vento, em busca de um lugar onde possam, finalmente, repousar em paz.
(Betto Gasparetto – viii/xviii)
Deixe um comentário