PORQUE OS VENTOS SOPRAM MAIS FORTE, FICAMOS CALADOS NO TEMPO! – 10/12
(Betto Gasparetto)
Euphoria nr. IX – PÉTALAS AO VENTO – As Sofritudes

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
O horizonte se estendia diante dela, vasto e profundo, como um convite silencioso, onde o céu e a terra se tocavam, invisíveis e intransponíveis. O vento, agora mais suave, parecia conhecer os segredos de seu coração. Cada sopro trazia consigo a lembrança do que ela havia deixado para trás, mas também a promessa do que ainda estava por vir. O campo à sua frente, imenso e imperturbável, era um espaço de infinitas possibilidades, onde o passado se dissipava como as últimas pétalas ao vento, e o futuro se apresentava sem limites.

Ela parou por um momento, os olhos fixos no caminho à sua frente. As pétalas que antes haviam caído, agora misturadas à terra, estavam distantes, mas de alguma forma, ainda presentes, como fragmentos de um sonho que a jovem, agora, sabia que não precisava mais carregar. A suavidade do vento acariciava seu rosto, trazendo com ele um novo fôlego, uma renovação silenciosa. Cada respiração parecia levar consigo um peso, uma memória, uma tristeza, e a deixava mais leve, mais solta. O vento não só movia as pétalas, mas também a conduzia por um caminho que ela estava começando a entender, um caminho que não exigia pressa, mas confiança.

Os galhos da árvore, à distância, ainda balançavam suavemente, como se também estivessem em movimento, como se soubessem que a jovem não precisava mais se apegar a nada. Ela sentia, no fundo de sua alma, a liberdade que finalmente se instalava. Não era uma liberdade sem amarras, mas uma liberdade adquirida através da aceitação, através da compreensão de que o vento não pode ser contido, assim como a vida não pode ser retida. O que passou, passou. E o que virá, virá. O vento, como uma força misteriosa, guiaria seu caminho, como sempre fizera.

Ela continuou sua caminhada, o campo agora mais próximo, os pés tocando suavemente a terra fria que ainda guardava vestígios das últimas chuvas. As pétalas que flutuavam ao redor dela pareciam se mover com um propósito, como se o vento as estivesse conduzindo para um destino único, invisível. Não eram mais fragmentos de uma flor que se despedia; agora, eram símbolos de algo que se desfez para dar lugar a algo novo, algo que a jovem ainda não podia ver, mas que sentia em sua essência. O vento as levou, mas o que restava era o próprio movimento da vida, que nunca se detinha, nunca se interrompia.

Ela sentiu, então, como se tudo estivesse finalmente em harmonia. As pétalas que se dispersavam pelo campo agora eram como marcas no solo, testemunhas de uma jornada. A jornada não terminava ali, mas se transformava, se renovava a cada passo, a cada suspiro. O vento, sempre constante, a guiava, como se fosse um amigo invisível que a conduzia para onde ela precisasse ir, sem pressa, sem angústia. O futuro não era uma expectativa ansiosa, mas uma aceitação tranquila do que estava por vir.

O céu, agora tingido de um azul mais profundo, refletia o silêncio que se instalava em seu coração. Não era mais a saudade que a guiava, mas a certeza de que tudo o que ela havia vivido já não fazia mais parte de sua identidade. Ela se reconhecia não nas lembranças, mas naquilo que ela agora era: uma jovem que havia aprendido a soltar, a permitir que as pétalas caíssem ao vento, sem se preocupar com o que restaria. Ela agora se sentia plena, porque compreendia que, ao permitir que o vento a levasse, ela também estava se permitindo ser transformada.

O campo à sua frente, agora aberto e vasto, refletia o que ela sabia ser verdade: que a vida, como as pétalas ao vento, não pode ser retida, mas sempre encontra seu caminho, sempre segue seu curso. O vento, que agora se tornava mais forte, parecia levá-la a uma nova fase, a um novo entendimento, onde não há medo, não há dúvida. A única certeza que ela carregava era que, assim como o vento move as pétalas, ele também move o coração daqueles que se permitem seguir.

Ela sorriu, pela primeira vez em muito tempo, com um sorriso de quem finalmente encontrou a paz que procurava. O caminho à sua frente estava claro agora. Não havia mais necessidade de buscar. Ela estava, finalmente, no lugar onde deveria estar. E o vento, com sua força gentil, a guiaria para onde o destino desejasse. Porque, assim como as pétalas, ela também se espalharia ao vento, encontrando o seu lugar no grande ciclo da vida, sem pressa, mas com confiança no que viria.
(Betto Gasparetto – viii/xviii)
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