Arquivo para 20 de março de 2025

PORQUE OS VENTOS SOPRAM MAIS FORTE, FICAMOS CALADOS NO TEMPO! – 12/12

Posted in Sem categoria on 20 de março de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Euphoria nr. XI – PÉTALAS AO VENTO – A última pétala

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

A manhã, tão calma e profunda, parecia suspensa no tempo, como se o mundo inteiro estivesse aguardando o momento em que a última pétala se desprenderia do seu rastro, para finalmente deixar que o ciclo se completasse. O campo diante dela, imenso e sereno, agora não trazia mais o eco das dúvidas, mas a quietude da certeza. O vento, que até então a guiara suavemente, parecia agora em repouso, como se soubesse que a jornada de transformações estava prestes a se encerrar, dando espaço para uma nova quietude, um novo começo.

A jovem, com os olhos voltados para o horizonte, sentia o peso da mudança, mas não a temia. Havia, agora, algo diferente nela. Não era mais a busca pela libertação, nem a esperança do novo que a movia. Era algo mais profundo, algo que vinha da paz interior conquistada a cada pétala que se dispersava, a cada passo dado. O campo, tão vasto e silencioso, parecia acolher suas últimas dúvidas, que já não eram mais suas, mas ecos de um passado que, finalmente, se desfazia.

O vento se levantou uma última vez, com um toque suave, como se o mundo estivesse dizendo que a última pétala estava prestes a se soltar. Era como se tudo tivesse chegado ao ponto final de uma longa jornada, onde o antes e o depois se uniam em um único momento de completa transformação. A jovem, com a alma tranquila, fechou os olhos e sentiu, em sua pele, a suavidade da brisa que a envolvia, como se estivesse sendo abraçada por todo o universo que a cercava. O vento a havia guiado até ali, mas agora ela compreendia que a última pétala não seria apenas um símbolo de despedida, mas de plenitude.

A última pétala, que ainda restava suspensa na ponta de um galho, tremia ligeiramente, como se sentisse o peso do momento. Era uma pétala dourada, tocada pela luz suave da manhã, que parecia refletir todas as cores que ela havia vivido, todas as emoções que a jovem havia sentido. E, quando o vento finalmente a tocou, ela se desprendeu, caindo suavemente no campo ao redor, onde já outras pétalas repousavam, fundindo-se com a terra, com o ciclo da vida.

A jovem observou, em silêncio, o último gesto do vento. A última pétala se perdeu no ar, levando consigo tudo o que era efêmero e precioso, deixando no solo um rastro invisível de algo que já não precisava ser mais. Não havia mais necessidade de lembrar, nem de buscar. Ela sabia que, como as pétalas, ela também se espalharia, mas sempre se tornaria parte de algo maior, algo que transcendia a compreensão, como o vento que, sem ser visto, move tudo à sua volta.

A última pétala caiu, e com ela, a jovem sentiu que finalmente podia descansar. O ciclo se completava, a transformação se fechava. Ela estava em paz, sabendo que, assim como a última pétala se perde ao vento, ela também havia encontrado seu lugar no vasto campo da vida. Não era mais uma peregrina, não mais uma buscadora, mas alguém que compreendia, com profunda sabedoria, que tudo o que nasce também se despede, e que a despedida é, por sua vez, um novo começo.

E, enquanto o vento se acalmava, ela sorriu, tranquila, sabendo que a última pétala não era um fim, mas uma continuidade, o último suspiro de algo que permanece em tudo o que é, que nunca se perde, mas se reinventa.

O vento, que a guiou ao longo de sua jornada, agora a deixava em seu silêncio final, mas não em solidão, pois ela sabia que a vida, como as pétalas ao vento, segue seu caminho, eternamente se renovando, sempre se espalhando, sempre voltando ao início.

(Betto Gasparetto – viii/xviii)