Arquivo para março, 2025

PORQUE OS VENTOS SOPRAM MAIS FORTE, FICAMOS CALADOS NO TEMPO! – 05/12

Posted in Sem categoria on 13 de março de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Euphoria nr. IV – PÉTALAS AO VENTO – A Quietude

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Na quietude da tarde que morria, como um último suspiro do sol antes de se perder nas sombras da noite, a jovem permaneceu em pé, agora diante da janela que se abria para o mundo exterior. A sala, antes densa com a nostalgia do passado, parecia agora mais distante, como se o tempo, finalmente, tivesse desistido de insistir em se manter. O vento, suave e constante, entrava pela fresta da janela, levando consigo um resquício de frescor, como se buscasse purificar o ambiente. Mas, ao tocar seu rosto, ela sentiu que não havia mais necessidade de purificação, pois já não restavam mais culpas a serem expurgadas, nem lágrimas a serem vertidas.

O cheiro das flores vermelhas que ainda se espalhavam pelas paredes enchia o ar com uma doce fragrância de um amor que se extinguia com a mesma suavidade com que o vento acariciava as pétalas caídas no chão. Essas flores, que haviam começado sua jornada como simples sementes, agora se erguiam, desafiando as intempéries do tempo, como a jovem que, embora marcada pelas cicatrizes do passado, permanecia firme em sua contemplação silenciosa. Ela sabia que, tal como as flores, algo dentro dela também havia crescido. Algo belo, talvez, algo ainda desconhecido. Talvez fosse a aceitação.

Ela olhou para as pétalas que cobriam o chão, um tapete de cores desbotadas, como as memórias que se dissolvem na mente com o passar dos anos. Cada uma delas, agora fragilizada, era um reflexo das palavras não ditas, dos amores que se perderam, das promessas que nunca se cumpriram. Mas, à medida que o vento as fazia dançar, ela compreendeu que essas pétalas, embora frágeis, também carregavam consigo um valor inestimável. Elas haviam sido, por um momento, o reflexo de algo imenso. Algo que, por mais efêmero que fosse, ainda fazia parte dela.

Ela levantou uma mão delicada, quase como se quisesse tocá-las, mas, em vez disso, deixou que o vento as conduzisse para longe. Era como se, ao permitir que as pétalas se fossem, ela também estivesse permitindo que seu passado se desfizesse, dissipando-se no ar, como uma memória que perde sua forma ao ser exposta à luz. O vento, agora mais forte, sussurrava segredos que só ele sabia, e a jovem, sentindo o toque da brisa em seus cabelos, deixou-se perder nesse momento de introspecção, com a mente a vagar por terras distantes, por mares longínquos, onde os amores se renovam e as dores se transformam em luz.

O salão nobre atrás dela, agora iluminado apenas pela chama trêmula das luzes, parecia mais distante, como se, ao soltar as pétalas ao vento, ela também estivesse libertando a última conexão que ainda a ligava àquele lugar. O salão nobre, com suas flores secas e relicários esquecidos, era agora apenas uma recordação, um pedaço do passado que ela finalmente havia aceitado. A memória daqueles que haviam passado, das vidas que haviam tocado a sua, agora não a consumia mais. Ela sabia que o eco das lágrimas já não precisava ser ouvido. O silêncio que antes a aprisionava agora a envolvia com a suavidade de um abraço, convidando-a a seguir em frente, a seguir para onde o vento a conduziria.

O ambiente, com suas paredes desgastadas e móveis envelhecidos, já não a aprisionava. Ao contrário, agora ela via aquilo tudo com um olhar sereno, como se cada rachadura na madeira, cada sombra nas paredes, fosse parte de uma obra inacabada, mas bela. O velho cômodo, com sua atmosfera de abandono e mistério, era agora o palco de uma nova história, uma história que ela escreveria com os passos que tomasse para fora daquelas quatro paredes.

O vento, como um amigo silencioso, sussurrava palavras que a jovem agora entendia: “O tempo, tal como as pétalas, se vai. Mas o que permanece é a essência daquilo que fomos. O que permanece é aquilo que decidimos carregar conosco. E tu, minha amiga, decidiste carregar a leveza.” Ela sorriu, pela primeira vez naquele dia, com um sorriso que não carregava tristeza, mas uma profunda gratidão. O vento a acariciava, levando consigo a última pétala, a última lembrança.

E, finalmente, ela se virou para a porta, pronta para seguir adiante. Porque, ali, naquele espaço onde passado e presente se encontravam, ela havia aprendido a lição mais importante de todas: a beleza não está nas coisas que permanecem, mas nas que se vão. E, ao se perder nas pétalas ao vento, ela se encontrou em um lugar onde a saudade já não tinha mais poder sobre ela. O vento a guiaria para um futuro, suave e sereno, onde as pétalas, assim como o tempo, continuariam a dançar, mas sem nunca mais voltar.

(Betto Gasparetto – viii/xviii)

PORQUE OS VENTOS SOPRAM MAIS FORTE, FICAMOS CALADOS NO TEMPO! – 04/12

Posted in Sem categoria on 12 de março de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Euphoria nr. III – PÉTALAS AO VENTO – A Virtude

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

A luz da manhã se infiltra pela janela quebrada, agora com mais força, desafiando o que restava da noite e das sombras que se prolongavam nas esquinas da sala. O sol, com sua aurora tímida, toca o chão onde as pétalas, em sua quietude, parecem se aquecer na presença da luz, como se a promessa do novo dia fosse capaz de restaurar o que foi perdido. Mas, para a jovem, o calor do sol não trazia mais a mesma sensação de consolo. Ela se mantinha ali, no meio das pétalas espalhadas, com os olhos distantes, fixos em algo que já não estava mais presente, mas que, de alguma forma, ainda aprisionava.

O vento, agora mais forte, faz as pétalas ao redor dela dançarem como pequenas borboletas, flutuando sem direção, sem destino. O vento, com sua força invisível, parece trazer consigo um convite para o movimento, para a mudança que ela tem evitado. Mas a jovem ainda hesita, seu coração dividido entre o que ela conhece e o que o futuro lhe oferece. Cada pétala que se desloca é como uma lembrança, uma sensação que vem à tona, um desejo de permanecer na segurança daquilo que é familiar, embora obsoleto.

Ela se levanta lentamente, seus passos suaves, como se não quisesse perturbar a serenidade do ambiente. Mas o ar, carregado com o perfume das flores que já se foram, parece insistir para que ela siga em frente. O salão nobre atrás dela, agora envolto em uma luz suave, parece mais uma relíquia do que um objeto de adoração. As luzes, que antes ardiam com fervor, estão agora apagadas, suas chamas extintas pela passagem do tempo. As flores secas, antes um símbolo de devoção, estão desfeitas, murchas, como a juventude que também se esvai com a passagem dos anos. Não há mais promessas a cumprir ali, apenas vestígios de um amor que se foi, de uma fé que não conseguiu se sustentar.

Ela caminha até a janela, os olhos fixos no horizonte distante, onde o céu se estende em um azul profundo e quase inatingível. O vento a acompanha, tocando sua pele com a suavidade de uma despedida, como se sussurrasse que é hora de deixar ir, que o ciclo está completo. Ela respira fundo, sentindo a brisa nos cabelos, a sensação de algo novo prestes a acontecer. E, por um breve momento, ela se perde na dança das pétalas, observando-as como se fossem mensageiras de algo maior, algo que ela ainda não compreendia completamente.

O vento, com sua força constante, parece empurrá-la para fora, mas ela ainda se resiste. Cada pétala que cai é como uma memória que ela tem medo de soltar, cada um desses pequenos fragmentos de flor é uma parte de si mesma que ela teme perder. Mas, à medida que observa as pétalas flutuando para longe, ela entende que a vida não é feita de permanências. O que é belo, como a flor, precisa murchar para dar espaço ao novo. O que é efêmero não é menos precioso; ao contrário, é a sua fragilidade que lhe confere valor.

A jovem, com os olhos ainda voltados para o horizonte, sente uma mudança dentro de si. O medo, embora presente, já não é tão forte. O vento, agora um companheiro constante, a guia para a porta, para o além da sala, para o além das pétalas que caem. Ela sabe que as lembranças não se apagam, mas se transformam. E, ao dar o primeiro passo em direção ao mundo exterior, ela se dá conta de que, ao contrário do que pensava, as pétalas não se perdem no vento; elas seguem em direção a algo novo, algo que está por vir.

O espaço, antes repleto de lembranças e saudades, agora parece abrir-se diante dela, uma tela em branco esperando para ser preenchida. O vento, que antes era uma força que a arrastava sem direção, agora se torna um guia, uma presença acolhedora. A jovem caminha com mais confiança, sem olhar para trás, sabendo que as pétalas ao vento não são um fim, mas um recomeço, e que, assim como o vento, ela também encontrará o seu caminho.

(Betto Gasparetto – viii/xviii)

PORQUE OS VENTOS SOPRAM MAIS FORTE, FICAMOS CALADOS NO TEMPO! – 03/12

Posted in Sem categoria on 11 de março de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

Euphoria nr. II – PÉTALAS AO VENTO – A Magnitude

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

No silêncio que preenche a sala com uma suavidade quase palpável, a jovem se encontra sozinha, cercada apenas pelas sombras de um passado distante. A luz do entardecer, suave e dourada, penetra pela janela empoeirada, criando uma dança de sombras e brilhos sobre as paredes desgastadas. O ar parece carregar a leveza de um segredo não dito, e o chão, coberto por pétalas desfeitas, reflete a fragilidade de um momento que se perde no tempo, mas que, ao mesmo tempo, parece eterno. Cada pétala caída é um eco de algo que foi belo e agora se desfaz, um resquício de um amor que se extinguiu como as flores no fim da estação.

A linda jovem, com seus cabelos longos e levemente ondulados, está sentada no chão, sua figura quase etérea no ambiente silencioso. Ela usa uma blusa azul, simples, mas que parece capturar a essência da calmaria que a envolve, e suas calças de tecido leve fluem suavemente ao redor de suas pernas, como se a própria brisa tivesse se misturado à sua roupa. Seu olhar está perdido no vazio, mas sua mente parece viajar por um caminho distinto, como se ela estivesse distante do presente, navegando pelas águas turvas das memórias.

As pétalas, espalhadas por todo o chão, são um reflexo de sua alma. Algumas estão ainda vibrantes, como se o toque da luz do entardecer fosse capaz de manter um pouco de sua beleza intacta, enquanto outras estão desbotadas e secas, a fragilidade de seu ser exposta pela passagem do tempo. Elas não têm mais o perfume das flores vivas, mas ainda carregam em sua essência a lembrança do que foram, e, como ela, estão ali, aguardando, aguardando o vento que as levará, esperando o movimento que as retirará da quietude.

O salão à sua frente, com candelabros apagados e flores secas, parece ser o único objeto capaz de refletir algo além do momento presente. Ele é um lembrete do que foi, talvez um vestígio de uma reflexão, uma oração ou um pedido de algo perdido. Retratos de um tempo que ela talvez já tenha esquecido, ou que já não importa mais. O salão está ali, como um testemunho, mas não mais como um lugar de leitura, pois o que ela procurava naquele objeto já não a preenchia mais.

Sua respiração, suave e cadenciada, se mistura ao som do vento que, agora, começa a entrar pela janela entreaberta. As pétalas começam a se mover, como se o vento tivesse decidido acordá-las, fazendo-as dançar no ar, deixando uma leve fragrância de saudade no ambiente. O vento, esse amigo invisível que atravessa a sala, parece trazer consigo uma mensagem – uma mensagem que ela não entende completamente, mas que a envolve de uma forma silenciosa. Ele a chama para fora, para além daquelas paredes, para além do que ela conheceu.

Ela não se move imediatamente, como se precisasse absorver cada segundo daquele momento. Mas algo dentro dela começa a mudar. O vento, tão suave, mas cheio de uma força inusitada, toca-lhe a pele com a leveza de uma promessa não dita. A sala, com seus móveis envelhecidos e o ar carregado de histórias esquecidas, começa a se desvanecer à medida que ela sente o chamado do futuro, o convite para se libertar daquilo que a aprisionava.

A jovem, então, olha para o retrato uma última vez, como se se despedisse não de um objeto, mas de um pedaço de sua própria história. Ela não precisa mais dele. O vento a guiaria agora. As pétalas, que um dia foram flores vibrantes, agora são apenas fragmentos de algo que se foi. Mas, ainda assim, elas têm algo a lhe dizer: que o que se perde ao vento, não se perde completamente. O que se desprende, encontra seu caminho.

E, ao se levantar lentamente, ela se permite deixar o lugar, seguindo o rumo que o vento indica. Porque, afinal, as pétalas caídas no chão não são um fim, mas um recomeço. E o vento, que sempre soubera aonde ir, agora leva consigo as últimas lembranças.

(Betto Gasparetto – viii/xviii)

PORQUE OS VENTOS SOPRAM MAIS FORTE, FICAMOS CALADOS NO TEMPO! – 02/12

Posted in Sem categoria on 10 de março de 2025 by Prof Gasparetto

 (Betto Gasparetto)

Euphoria nr. I – PÉTALAS AO VENTO – A Finitude

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

A tarde estendia-se sobre o horizonte com um manto de cores suaves, enquanto a jovem, ainda perdida em seus pensamentos, permanecia no mesmo lugar, onde as pétalas haviam caído. O ar parecia pesado, como se carregasse as memórias não faladas, aquelas que, mesmo com o passar dos anos, ainda não haviam encontrado descanso. Ela não se movia, como se o peso do passado tivesse se tornado uma parte intrínseca de sua essência, entrelaçada com a poeira e o silêncio daquele ambiente antigo.

Os olhos, ainda fixos no altar, não buscavam mais respostas, mas sim uma forma de aceitação. O altar, com suas velas baixas, algumas já apagadas pelo tempo, parecia refletir a condição do coração da jovem: em um estado de transição, onde o passado e o presente se confundem. As flores secas, que antes tinham uma vida vibrante, agora eram apenas sombras de algo que um dia foi belo. E, como aquelas flores, ela também sentia que estava prestes a se desintegrar na vastidão de um tempo implacável.

O silêncio no ar era profundo, mas não solitário. Parecia que ele carregava consigo o peso de todas as palavras não ditas, aquelas que se perdem nas noites escuras, nas conversas interrompidas, nas promessas quebradas. A jovem sabia que, mesmo no silêncio, havia uma conversa acontecendo. Cada pétala caída, cada fio de poeira suspenso no ar, cada rachadura na parede era um eco de algo que já não poderia ser tocado.

Seus dedos, delicados como as pétalas que caíam ao seu redor, tocavam a superfície fria da mesa onde o altar estava posicionado. Era um toque leve, quase como se temesse acordar a dor que ainda residia em seu peito. Sua mente se perdia entre lembranças, imagens difusas de tempos que pareciam já pertencentes a outra vida. Havia algo de intransigente no modo como o passado se impunha sobre o presente, como se as memórias fossem cadeias invisíveis que a mantinham atada a um momento de sua vida que não queria mais reviver.

Ao longe, os vasos com flores vermelhas continuavam a crescer nas paredes, suas raízes profundas, como se buscassem algo além do que a terra oferecia. Elas, como ela, tentavam encontrar um caminho, uma direção em meio à escuridão. Mas as flores não sabiam que, por mais que tivessem crescido e se espalhado, elas estavam presas àquele espaço, como uma prisão invisível.

O ambiente, tão carregado de símbolos e significados, parecia criar uma sensação de total introspecção. Era como se o tempo tivesse se concentrado naquele único instante, onde passado e presente se entrelaçavam, onde cada objeto, cada sombra, cada fragmento de luz se tornava uma metáfora para o que se passava dentro dela. O altar, com suas velas e relicários, representava as marcas do tempo, os vestígios de algo que se foi e que, ainda assim, continuava vivo de alguma forma, na memória.

A jovem, agora, fechava os olhos por um breve momento, tentando se libertar daquelas correntes invisíveis que a mantinham presa ao passado. No entanto, algo a impedia. Talvez fosse a saudade, talvez o arrependimento, ou talvez a simples constatação de que não se pode apagar o que já foi vivido. Ela sabia que, por mais que tentasse, as lágrimas que não haviam sido ditas não poderiam ser guardadas para sempre. Elas, como as pétalas ao vento, teriam que cair.

E enquanto ela permanecia ali, envolta pelo crepúsculo e pelas sombras que preenchiam o espaço, um novo pensamento surgia em sua mente: talvez fosse hora de deixar ir. Talvez fosse hora de permitir que o eco das lágrimas não ditas finalmente encontrasse seu descanso, dissipando-se no ar, como a última pétala a cair.

Assim, a jovem levantou-se lentamente, seus passos silenciosos sobre as pétalas que cobriam o chão, enquanto, ao longe, o vento começava a acariciar as flores vermelhas, como se lhe dissesse que, finalmente, o ciclo estava completo. Ela, agora, sabia que poderia partir, sem as amarras do passado, sem as palavras que nunca foram ditas, mas com a serenidade de quem entende que o silêncio também carrega consigo a verdade.

(Betto Gasparetto – viii/xviii)

PORQUE OS VENTOS SOPRAM MAIS FORTE, FICAMOS CALADOS NO TEMPO! – 01/12

Posted in Sem categoria on 9 de março de 2025 by Prof Gasparetto

(Betto Gasparetto)

PÉTALAS AO VENTO – Introito

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Ó, que visão se revela neste silêncio,
Onde o dorso da tarde se curva, tremor sutil
De um amor que se esvai, como brisa errante
A tocar as pétalas que caem do céu sombrio.
A jovem, sem pressa, repousa no solo,
No leito das lembranças que o tempo esqueceu,
Sua veste singela e os cabelos que dançam
Aos suspiros de uma saudade que não se apaga.

À luz dourada que banha a frágil sala,
Entre sombras que se estendem como dedos de um passado,
Ela repousa, alma etérea, quase um sonho,
Como se o mundo ao redor fosse tão distante,
E ela, mera sombra entre as ruínas,
Respondesse ao clamor das pétalas que caem.

Vê, nas mãos, a ânsia de um amor perdido,
Que flui nas veias como água de um rio seco.
Os olhos que contemplam, com devoção e dor,
O altar de vestígios — relicários de outrora,
Onde o vento, inconstante e cruel,
Sussurra nomes de um tempo que já não existe.
Memórias repousam na superfície da madeira antiga,
Fluídas como as flores secas que adornam o espaço.
Cada chama, uma lágrima suspensa no ar.

E no canto, entre as sombras,
Onde as rochas caídas guardam segredos,
A presença do mistério dança à luz moribunda,
Como um eco de um grito que já não se ouve,
Mas permanece reverberando na essência do silêncio.

Assim, a jovem, sentada entre as pétalas e o tempo,
Encontra-se, ela mesma, perdida nas correntes da saudade,
Entre o que foi e o que jamais retornará.
A luz que a abraça, como uma memória encantada,
É a mesma que se desfaz, deixando na sala
O suave rastro da efemeridade,
Onde as pétalas ao vento, flutuando,
Sussurram promessas esquecidas
Que o coração, frágil como o último suspiro,
Ainda deseja ouvir.

Oh, não há mais palavras,
Apenas a doce dor daquilo que se foi.

Em meio à quietude que se estende como um véu de seda,
A jovem repousa, seus pensamentos entrelaçados
Com o eco distante de vozes que já não tocam mais.
Os anos passaram, mas a dor do passado permanece
Como as cinzas que resistem ao sopro do vento.
Suas mãos, frágeis, tremem levemente ao tocar
As pétalas espalhadas no chão,
Cada uma delas uma história que desabou sem aviso,
Como um amor que se desfaz na brisa sem fim.

O sol, já a ponto de se esconder no horizonte,
Pinta o ambiente com uma luz suave e morna,
E tudo ao redor parece se aquecer sob seu olhar triste.
Os móveis antigos, cobertos pela poeira do tempo,
Guardam em seus cantos as memórias de um lar
Que nunca mais será o mesmo,
Como os sussurros de um nome, já perdido,
Mas que ainda se guarda nos recantos da alma,
Onde o eco nunca morre, mas apenas se transforma.

E, ao levantar o olhar,
Ela vê o reflexo das velas no vidro empoeirado,
Chamas que dançam como fantasmas de um passado
Que ainda se recusa a se dissipar.
Cada vela, um farol, um lembrete de tudo o que se foi,
Cada centelha, uma promessa feita e quebrada,
Cada chama, um desejo que jamais se realizou.
E, contudo, no coração da jovem,
Há uma chama que arde suavemente,
Como se as pétalas do vento ainda lhe sussurrassem
Que, mesmo no abandono, ainda há beleza a ser vivida.

O ar, carregado de poeira e saudade,
Parece contar-lhe histórias de amores antigos,
De momentos em que o céu parecia mais próximo,
De risos que ecoavam nas paredes de pedra,
Agora mudas, agora vazias.
E o altar, com suas velas, flores secas e relicários,
Ergue-se como uma ponte entre o mundo visível e o invisível,
Onde o tempo se curva e as sombras se tornam luz,
Onde a memória, embora cansada, não desiste de existir.

O vento, que agora entra pela janela entreaberta,
Carrega consigo o perfume das pétalas caídas,
Mistura-se com o aroma das flores vermelhas
Que trepam pelas paredes, desafiando o abandono.
E a jovem, envolta em sua quietude, sente-se
Parte desse fluxo constante, dessa dança
Entre a presença e a ausência, entre a dor e a beleza,
Sabendo, no fundo de seu ser, que tudo o que é belo
É também efêmero, como as pétalas ao vento.

Assim, no silêncio que paira como uma prece não dita,
Ela permanece, uma sombra entre as sombras,
Aguardando, quem sabe, a chegada de um novo amanhecer,
Ou, quem sabe, a despedida definitiva de um amor
Que, como o vento, não pode ser tocado,
Mas cujas lembranças continuam a se espalhar
Nas pétalas, nas paredes, nos suspiros do ar.
E mesmo que o tempo passe e o vento se acalme,
Ela saberá que, por mais que as pétalas se dispersem,
Elas sempre voltarão, suavemente, a tocar o chão.

(Betto Gasparetto – viii/xviii)