Arquivo para maio, 2025

AS ÚLTIMAS LÁGRIMAS DE VIDRO ESCORRERAM PELA VIDRAÇA (05/11)

Posted in Sem categoria on 26 de maio de 2025 by Prof Gasparetto

Theodore Blackmantle (04/1999)

ADÁGIO  V – O LIVRO ABERTO DO REMORSO

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Abri o livro onde escreveste tua ausência,
E em cada página há silêncio em letras.
Ali jazem gestos, feitos em imprudência,
Riscados por mágoas, culpas secretas.

Oh! Por que não voltas para reler
As entrelinhas que não quis compreender,
E os parágrafos que eu quis esquecer
Mas guardo como lápides de saber?

Este livro é meu evangelho e cruz,
Com versos onde tua lembrança luz
Como sombra santa e contraditória.

Volta, e juntos reescrevamos a história
Com tinta feita de esperança inglória
E fé redimida na memória.


AS ÚLTIMAS LÁGRIMAS DE VIDRO ESCORRERAM PELA VIDRAÇA (04/11)

Posted in Sem categoria on 25 de maio de 2025 by Prof Gasparetto

Theodore Blackmantle (04/1999)

ADÁGIO  IV – O GRITO NO ESPELHO DA AURORA

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Acordo e grito teu nome ao espelho,
Mas só minha imagem devolve a dor.
Vejo meus olhos — tão cheios de conselho —
E tão vazios do teu calor.

Cada manhã é sentença e relento,
Um corte aberto no firmamento,
E o grito, abafado em meu pensamento,
É súplica ao ausente, em sofrimento.

Quem dera pudesses escutar meu ser,
Que implora não por reviver,
Mas por ter chance de compreender.

Por que partiste com a lâmina fria,
Quando podíamos, mesmo em agonia,
Ser templo de um novo renascer?


QUANDO A ÚLTIMA PÉTALA SOBREVIVER, UM NOVO SOL BRILHARÁ NO HORIZONTE (01/17)

Posted in Sem categoria on 24 de maio de 2025 by Prof Gasparetto

Jhonnatan F. W. (jan/1978)

Arquivo I. O Despertar da Terra

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

A alvorada que rompe o véu da noite, a terra parece suspensa, como se aguardasse uma revelação. O horizonte, antes claro, agora se cobre de cinza, e a memória de um tempo perdido ecoa nas mentes dos homens. O solo, marcado por batalhas e pegadas de pés cansados, já não sente o frescor da juventude das sementes. A terra se arrasta, carregando nas entranhas o peso de promessas não cumpridas, de sonhos que se desfizeram entre as mãos daqueles que ousaram acreditar.

O vento que antes trazia canções de paz agora sopra com o sabor amargo da desesperança. As aldeias, que já foram palco de risos e encontros, agora se vêem escuras, quase fantasmas de si mesmas. O medo que se espalhou entre as pessoas criou um abismo, um isolamento imensurável. Todos parecem andar sem destino, como se o sentido da vida tivesse se perdido nas nuvens cinzentas da desilusão.

No entanto, há algo que persiste, uma chama enfraquecida, mas que se recusa a ser apagada. O olhar de quem sobreviveu revela uma força silenciosa, um desejo profundo de que, em algum lugar distante, a luz da esperança ainda possa encontrar seu caminho. As cicatrizes do passado, embora profundas, não conseguiram erradicar a memória de um tempo em que a vida pulsava com uma intensidade única. E, por mais que o cenário esteja devastado, ainda há um fio tênue que conecta os homens àquilo que eles perderam.

______________________________________*_*_*_________________________________________

AS ÚLTIMAS LÁGRIMAS DE VIDRO ESCORRERAM PELA VIDRAÇA (03/11)

Posted in Sem categoria on 23 de maio de 2025 by Prof Gasparetto

Theodore Blackmantle (04/1999)

ADÁGIO Nº 3 – A ÂNSIA DE REFAZER O INSTANTE VERBAL

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Ah, se me fosse dado um só segundo
Do momento em que tudo desandou!
Reescreveria, com verbo profundo,
A palavra que entre nós sangrou.

Diria ao tempo: “espera, não corras!”
E ao gesto: “pensa antes de quebrar!”
Mas a vida, em suas linhas escorra,
Não permite ao homem voltar.

Mesmo assim, em minha alma contrita,
Revivo o instante de forma infinita,
Buscando a fresta de outro destino.

Pois onde houve amor, há redenção,
Mesmo se envolta em contradição
E em perdão banhado de desatino.


AS ÚLTIMAS LÁGRIMAS DE VIDRO ESCORRERAM PELA VIDRAÇA (02/11)

Posted in Sem categoria on 22 de maio de 2025 by Prof Gasparetto

Theodore Blackmantle (04/1999)

ADÁGIO Nº 2 – A RUA QUE AINDA ME LEMBRA CONTINUA VAZIA E SEM LUZ

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning

Passo por ruas onde andamos outrora,
E o chão murmura memórias caladas.
As pedras, cúmplices da nossa aurora,
Guardam teus passos, minhas palavras.

Ali, entre muros e janelas antigas,
Revivem vozes de promessas amigas
Que, como flores, murcharam sem brigas
E caíram do ramo feito cantigas.

A rua, que tudo em silêncio escutou,
Ainda me sussurra por onde estou:
“Ele passou aqui… mas não voltou.”

E eu, como cão sem dono ou direção,
Sigo farejando tua recordação
Na esperança que o tempo me perdoou.