Seraphine Stormveil (02/1993)
LÂMINA IV – O RISO QUE CONDENOU A SERIEDADE

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
Recordo um riso teu, como trovão,
Que em dia de festa ecoou voraz.
Mas em tal som — disfarçado e vão —
Nasceu a malícia que nunca jaz.
Não foi de alegria, nem de paixão,
Mas zombaria sob ilusão,
E ali vistes minha contemplação
Como piada de fraca invenção.
Ristes de mim, não comigo, traidor,
E nesse riso enterraste o amor
Que outrora em versos te declarei.
Pois quem ri do amigo no abandono
É carrasco oculto, sem mais dono,
De um coração que foi, e amei.



