Jhonnatan F. W. (jan/1978)
Arquivo IV. O Sabor da Solidão Absoluta

By NC Flux Schnell+ Starlight XL, Atomix XL v4 Lightning
Nas sombras da noite, a solidão se estende como um manto pesado, cobrindo os corpos cansados e as almas despedaçadas. O silêncio é absoluto, não há mais risos ou conversas, apenas o som do vento que atravessa as ruas desertas e o farfalhar das folhas secas que caem das árvores, como se a própria natureza estivesse em luto. Cada passo dado parece ecoar mais forte, amplificando o vazio imenso que domina a paisagem. As casas, que antes vibravam com o movimento da vida, agora são apenas cascas vazias, suas paredes testemunhas de um tempo que já se foi.
A solidão, que antes era apenas uma sensação passageira, agora é uma presença constante, um companheiro indesejado que se aloja no peito de cada ser. Não há mais com quem compartilhar os pensamentos, os medos ou as esperanças. Tudo é interiorizado, tudo é guardado nas profundezas da alma, onde ninguém pode alcançar. E esse isolamento, esse distanciamento de tudo e todos, começa a corroer lentamente as fundações do ser, criando um abismo que parece impossível de atravessar.
E no entanto, mesmo nesse vasto deserto emocional, algo se agita nas sombras. Talvez seja a lembrança de tempos mais simples, talvez seja uma chama que ainda arde, mesmo que enfraquecida. A solidão não é apenas destrutiva; ela é também um espaço de reflexão, onde os vestígios de quem fomos, de quem ainda podemos ser, surgem nas entrelinhas da dor. A solidão, embora amarga, traz consigo a possibilidade de renascimento, de reconstrução, de redescoberta.
Ela nos obriga a olhar para dentro, a confrontar o que está adormecido e perdido, com a esperança de que, um dia, possa surgir um novo começo.
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